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Disputa política sobre a deficiência expõe limites da inclusão como bandeira eleitoral

A apropriação eleitoral das pautas das pessoas com deficiência é criticada por reforçar caridade, medicalização e segregação.

Disputa política sobre a deficiência expõe limites da inclusão como bandeira eleitoral

A disputa política em torno das pessoas com deficiência pode transformar reivindicações por direitos em instrumentos eleitorais. Essa apropriação, associada principalmente a partidos e políticos de extrema direita, esvazia pautas construídas historicamente pelos próprios movimentos e reintroduz propostas antes combatidas, como a segregação escolar.

A estratégia também aparece na forma como o autismo é mobilizado em propagandas políticas. A expansão da indústria relacionada ao tema contribui, nessa leitura, para converter causas das pessoas com deficiência em vitrines eleitorais do conservadorismo. O resultado seria o fortalecimento de respostas assistencialistas, filantrópicas e religiosas, além da valorização de instituições segregadoras como alternativas para a inclusão.

Inclusão, controle e medicalização

Quando a inclusão deixa de ser tratada como uma questão de emancipação, dignidade e direitos humanos, ela pode ser reduzida a problemas individuais ou setoriais. Na escola, aparece como dificuldade pedagógica; no espaço público, como ameaça; e no mercado de trabalho, como incapacidade. Essa mudança de enquadramento é apresentada como uma forma deliberada de controle social, ajustada às exigências da produtividade e do adestramento social.

A clínica hipermedicalizante ocupa papel central nesse processo. Hiperdiagnósticos são utilizados para explicar limitações individuais, enquanto permanecem sem questionamento as barreiras produzidas por estruturas de poder. Com isso, a exclusão tende a ser atribuída à própria pessoa, e a medicalização é apresentada como resposta para diferentes dimensões da vida.

A crítica, porém, não se limita à direita. Partidos progressistas e de esquerda também são apontados por uma negligência estrutural quando não asseguram acessibilidade em seus eventos, espaços e formulações de políticas públicas. A defesa de uma agenda democrática exigiria cobrança e tensão sobre esses grupos, em vez de aceitação automática de seus compromissos.

A escolha eleitoral, nessa perspectiva, precisa considerar o protagonismo das pessoas com deficiência. Discursos paternalistas e biomédicos, especialmente quando formulados por políticos que não vivenciam a deficiência, deslocam a discussão social e enfraquecem a participação política daqueles diretamente envolvidos. Respostas caritativas para problemas estruturais, por fim, reduzem o potencial coletivo e transformador da luta anticapacitista.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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