BRASÍLIA — O desempenho do Partido dos Trabalhadores nas eleições do Distrito Federal levou a legenda a discutir mudanças em sua atuação na capital. Embora Leandro Grass tenha avançado ao segundo turno na disputa pelo governo, o PT não elegeu representantes para o Senado, enquanto o Partido Liberal conquistou as duas vagas em disputa.
Arlete Sampaio, presidente de honra do PT-DF, avaliou que o resultado exige uma revisão da presença do partido nos territórios. “Nós do PT temos que trabalhar muito mais em Brasília do que nós estamos trabalhando”, afirmou. Para ela, a legenda precisa compreender as razões do desempenho do PL e da dificuldade da esquerda em apresentar sua leitura sobre os projetos políticos em disputa.
No primeiro turno, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, foram eleitas para o Senado. Michelle recebeu 938.496 votos, equivalentes a 29,05%, e Bia Kicis obteve 886.616 votos, ou 27,44%. Leila do Vôlei, do PDT, ficou em terceiro lugar, com 686.340 votos (21,25%), seguida por Érika Kokay, do PT, que teve 610.950 votos (18,91%).
Com o resultado, o Distrito Federal terá, a partir de 2027, uma bancada do Senado formada exclusivamente por mulheres. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis se juntarão a Damares Alves, do Republicanos, que tem mandato até 2031. As três são identificadas no texto como alinhadas ao bolsonarismo e integrantes do campo político da extrema direita.
Disputa pelo governo e avaliação interna
Na corrida pelo Palácio do Buriti, Leandro Grass terminou o primeiro turno com 34,47% dos votos e ficou atrás de Celina Leão, do PP, que alcançou 49,93%. A diferença deixou a governadora próxima de uma vitória ainda na primeira etapa.
Arlete Sampaio também associou o resultado à disputa de narrativas. Segundo ela, o PT não conseguiu convencer o eleitorado sobre sua interpretação dos projetos em confronto. “Nós do PT temos que aprender a lição, de como a gente vai reconstruir a nossa intervenção nos territórios para melhorar os nossos resultados”, disse.
Médica sanitarista, Arlete chegou a Brasília em 1971, participou da fundação do PT no Distrito Federal e da criação da CUT-DF. Foi vice-governadora do DF na chapa de Cristovam Buarque entre 1995 e 1998, depois exerceu três mandatos como deputada distrital e ocupou cargos nas áreas de desenvolvimento social no governo federal e no Distrito Federal.


