SALVADOR — Um cabo do Exército lotado na capital baiana é investigado por suspeita de desviar armamentos e munições para organizações criminosas. A apuração é conduzida pela Polícia Civil da Bahia e pelo Ministério Público da Bahia (MPBA).
As autoridades afirmam que o militar teria negociado munições de fuzil, armas e granadas com integrantes do tráfico de drogas. A suspeita apareceu durante uma investigação sobre grupos criminosos que atuam em Salvador.
Conversas indicaram negociação de material restrito
A análise de celulares apreendidos em uma operação realizada em abril, em um imóvel de Itapuã usado para armazenar e preparar drogas, revelou mensagens sobre a possível comercialização de materiais de uso restrito. Um dos aparelhos pertencia a um homem apontado pela polícia como responsável pela compra e pela revenda de armas e drogas para diferentes grupos.
Conforme a investigação, o cabo teria fornecido parte do material a criminosos. Para um dos grupos investigados, ele teria negociado aproximadamente mil munições para fuzis dos calibres 5.56 e 7.62. Também foram encontradas conversas sobre a possível venda de granadas, mas ainda não foi definida a quantidade que teria sido desviada.
O militar usaria um emoji como identificação nas conversas. A confirmação de sua identidade teria ocorrido a partir de dados pessoais apresentados durante as negociações, incluindo CPF e a chave Pix usada para receber os pagamentos.
Caso surgiu em operação contra grupos criminosos
A apuração sobre o militar integra uma investigação mais ampla, que levou à Megaoperação Reino Oculto, deflagrada pela Polícia Civil na última quinta-feira (10), com participação do MPBA. A ação levou à prisão de 33 pessoas e investigou uma estrutura que, conforme a polícia, reunia tráfico de drogas, venda ilegal de armas e munições, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com movimentação superior a R$ 4 milhões.
Na operação, foram apreendidos 17 quilos de drogas, entre cocaína, maconha, MDMA, haxixe e Ice. Também foram recolhidos armas, munições, veículos, joias, celulares, dinheiro e outros materiais relacionados às atividades investigadas.
As prisões ocorreram em cidades da Bahia, de Sergipe, de São Paulo e do Espírito Santo. O principal alvo foi localizado em um condomínio de alto padrão em Itapuã e, segundo a Polícia Civil, articulava negócios ilícitos com grupos criminosos de outros estados. A suspeita envolvendo o cabo acrescenta ao caso a possibilidade de materiais ligados às Forças Armadas terem chegado ao mercado ilegal por meio de alguém vinculado ao Exército.



