O Conselho de Justificação da Polícia Militar de São Paulo ouviu, nesta quarta-feira (30), testemunhas indicadas pela defesa do tenente-coronel Geraldo Neto. O procedimento pode resultar na expulsão do oficial da corporação. A realização dos depoimentos foi confirmada pelo advogado Miguel da Silva Jr., que representa a família da policial militar Gisele Alves Santana.
Geraldo Neto está detido no Presídio Romão Gomes desde 18 de março. Ele é acusado de matar a esposa com um tiro na cabeça, em fevereiro deste ano, no apartamento em que os dois moravam, no Brás, região central de São Paulo.
Com os depoimentos das testemunhas de defesa e acusação concluídos, a próxima etapa prevista é o interrogatório do tenente-coronel. A Secretaria da Segurança Pública informou que o processo corre sob sigilo e que, por essa razão, não divulgará o conteúdo das declarações prestadas ao conselho.
Após a análise do caso, o Conselho de Justificação deverá tomar uma decisão. O processo será então enviado ao Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, que dará a palavra final sobre a manutenção ou a cassação da patente de Geraldo Neto.
Investigação sobre a morte
A versão apresentada inicialmente pelo tenente-coronel era de que Gisele havia tirado a própria vida enquanto ele tomava banho. A Polícia Civil e os laudos periciais, entretanto, contestaram esse relato. Os investigadores apontaram vestígios de sangue incompatíveis com a explicação apresentada e sinais de que provas teriam sido ocultadas.
O Ministério Público denunciou Geraldo, e a Justiça recebeu a acusação em 18 de julho, tornando-o réu. Ele responde por feminicídio qualificado em contexto de violência doméstica, com agravantes de motivo torpe e do uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
O oficial também é acusado de fraude processual, relacionada à suposta modificação da cena do crime.


