Um editorial questionou a preparação de Flávio Bolsonaro (PL) para disputar a Presidência e cobrou dele uma defesa clara dos limites constitucionais do cargo. O texto também associou sua candidatura à herança política de Jair Bolsonaro, à promessa de indulto ao pai e ao confronto institucional com o Supremo Tribunal Federal (STF).
A análise afirma que Flávio não tem experiência relevante em gestão nem uma trajetória parlamentar que, por si só, o credencie para a Presidência. Também aponta que sua competitividade teria crescido em razão da polarização, embora persistam dúvidas sobre seu projeto político e sobre o apoio recebido do centrão.
“Antes de postular à Presidência, Flávio precisa demonstrar que está preparado para exercê-la — e que aceita sem ambiguidades os limites que a Constituição impõe a quem ocupa o poder”, diz o editorial, intitulado “Flávio é inexperiente e herdeiro de visão golpista”.
Relações políticas e acusações mencionadas
O texto relembra episódios da vida pública de Flávio, incluindo a concessão da mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio a um policial que estava preso sob acusação de homicídio e que depois foi identificado como integrante de milícia. Também menciona a investigação sobre um suposto esquema de “rachadinhas” em seu gabinete.
A análise ressalva que esses episódios não autorizam atribuir crimes ao senador que não tenham sido provados. Afirma, porém, que eles integram sua biografia e não devem ser ignorados. O editorial também cita o diálogo amistoso de Flávio com Daniel Vorcaro, do Banco Master, e um pedido de milhões para um filme em homenagem a Jair Bolsonaro.
Outro ponto de crítica é a relação de Flávio com Donald Trump. O texto classifica como arriscada sua subserviência ao presidente dos EUA em temas como tarifas, terras raras e mudança climática. A partir desses elementos, cobra um compromisso efetivo com a democracia de uma candidatura que reivindica a herança política do ex-presidente.
A escolha de Flávio por Jair Bolsonaro, segundo o editorial, teria surpreendido setores da direita não bolsonarista que buscavam um nome mais experiente, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo.


