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Ciência

Mensagens de Bolsonaro foram associadas a perdas florestais na Amazônia em 2019

Pesquisa da Universidade de Bonn cruzou publicações de autoridades com dados de desmatamento em 578 municípios da Amazônia Legal.

Mensagens de Bolsonaro foram associadas a perdas florestais na Amazônia em 2019
Foto: Zig Koch/WWF

A pesquisa que relacionou declarações do governo de Jair Bolsonaro ao desmatamento na Amazônia cruzou publicações em redes sociais com registros mensais de perda florestal e queimadas em 578 municípios da Amazônia Legal. O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, e publicado na revista científica The Journal of Politics.

Os dados indicaram que áreas mais expostas a discursos favoráveis à flexibilização das leis ambientais registraram crescimento de 2,2% a 6,6% na perda florestal. Para os pesquisadores, a associação entre as mensagens e o desmatamento apareceu em 2019, primeiro ano do mandato de Bolsonaro.

A equipe estima que, naquele ano, entre 190 e 1.700 quilômetros quadrados de floresta tenham sido afetados pelo efeito dessas comunicações. A conclusão não afirma que uma publicação isolada tenha provocado a derrubada de árvores, mas identifica uma relação estatística entre a exposição a sinais políticos contrários à conservação e o aumento posterior da perda de vegetação.

Como os pesquisadores testaram a relação

Foram examinadas mais de 3.600 publicações de Bolsonaro e dos então ministros da Agricultura, do Meio Ambiente e das Relações Exteriores. Desse conjunto, 38 mensagens foram classificadas como sinais de que o governo poderia tolerar o descumprimento das regras de conservação ou oferecer menor risco de punição.

Para avaliar se essas mensagens poderiam alcançar pessoas envolvidas na exploração florestal, os cientistas analisaram a circulação de assuntos ligados a florestas na plataforma entre 2015 e 2018, antes da eleição do ex-presidente. A hipótese era que agricultores, madeireiros, garimpeiros e outros extrativistas não necessariamente tivessem acesso direto ao X ou às publicações de Bolsonaro.

O levantamento apontou que municípios onde temas florestais já circulavam nas redes tinham maior probabilidade de repercutir as mensagens do governo, inclusive por meio da televisão. Nesses locais, também era mais comum a presença de políticos favoráveis à flexibilização das leis ambientais.

As informações sobre perda florestal vieram, entre outras fontes, do MapBiomas, e foram combinadas com dados de monitoramento por satélite. De acordo com os pesquisadores, o mecanismo principal não foi uma mudança legal nas multas ambientais. A interpretação apresentada é que as mensagens alteraram a percepção de risco dos exploradores, que passaram a acreditar que não seriam alcançados pelas autoridades.

A análise também considerou outros fatores para separar o possível efeito das comunicações políticas. O resultado, portanto, descreve simultaneidade e associação estatística, e não uma relação de causa atribuída a uma única postagem.

A área anual perdida na Amazônia vinha diminuindo nos anos seguintes. O desmatamento passou de 11.594 km² em 2022 para 5.731 km² em 2025. Dados preliminares de 2026 indicavam uma área menor, mas o número oficial final daquele período ainda não havia sido divulgado.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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