O Dia da Amazônia, celebrado neste sábado (5), dá início à contagem regressiva de 30 dias para as eleições gerais de 4 de outubro. A coincidência orienta a quinta edição da Virada Cultural Amazônia de Pé, cuja campanha defende que os eleitores escolham candidatos comprometidos com a preservação ambiental.
Com o tema “Cada voto pela Amazônia conta”, o movimento organiza neste fim de semana festivais culturais, gastronômicos e musicais, além de debates nas cinco regiões do país. A iniciativa reúne mais de 20 mil ativistas e cerca de 300 coletivos e organizações não governamentais. A localização das mais de 300 atividades está reunida em um mapa disponível na internet.
A abertura ocorreu na quinta-feira (3), no Território Indígena Borari, em Alter do Chão, distrito de Santarém, no Pará. Uma cobra cenográfica de 30 metros de extensão foi usada para marcar o início da programação. A mesma alegoria havia sido exposta em Belém, em novembro de 2025, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30).
A codiretora executiva da Amazônia de Pé, Catarina Nefertari, afirmou que a data serve para “falar bem alto que cada voto pela Amazônia conta”. Para ela, a mobilização também busca pressionar candidatos a considerar, em seus planos de governo, as soluções e os desejos das populações que vivem no território amazônico.
“Um levante pelo país inteiro”, definiu Nefertari ao descrever a virada cultural. Nascida e criada na chamada Amazônia urbana, formada por cidades e áreas urbanizadas, ela disse que a proteção depende do conhecimento sobre a região.
Florestas públicas e dados de desmatamento
Uma das preocupações do movimento são as Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs). Segundo a codiretora Karina Penha, essas terras ainda aguardam uma definição oficial do Estado sobre uso e gestão. Sem destinação para conservação, uso sustentável ou reconhecimento territorial, ficam mais suscetíveis a crimes ambientais.
Dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicaram queda de 36,87% no desmatamento da Amazônia entre agosto de 2025 e julho de 2026. Foram 2.874,38 km² sob alerta, o menor resultado desde 2016, quando começou a série histórica. A área corresponde à metade do território do Distrito Federal.
No fim de agosto, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), informou que 60% das terras indígenas na Amazônia não registraram desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026.
O 5 de setembro é reconhecido como Dia da Amazônia no país desde 2007. No Acre e no Amazonas, a data é oficializada desde 1968. A escolha remete à criação da Província Amazônica, no Império, em 1850. O bioma ocupa 49,5% do território nacional.
No primeiro turno, serão escolhidos deputados federais, estaduais e distritais, governadores, senadores e o presidente da República. O segundo turno está marcado para o dia 25 e poderá ocorrer nas disputas para governador e presidente em cidades com mais de 200 mil eleitores, caso nenhum candidato ultrapasse 50% dos votos válidos no primeiro turno.



