O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender a união da Irlanda do Norte com a República da Irlanda. A declaração foi feita neste domingo (13), depois de um encontro com o primeiro-ministro irlandês, Micheal Martin, e incluiu também uma menção à Escócia.
Durante um torneio de golfe realizado em um de seus resorts, situado em território irlandês, Trump afirmou que a união entre as duas partes da ilha lhe parecia algo natural. Sobre a Escócia, disse que ainda não falaria e deixaria o assunto para outro dia.
As declarações retomaram uma posição apresentada no sábado, após uma reunião com Martin em Dublin. Na ocasião, Trump afirmou que gostaria de ver a união e que isso aconteceria eventualmente.
Reações na Irlanda do Norte
A fala provocou reação do Partido Unionista Democrático, maior grupo político da Irlanda do Norte e defensor da continuidade da União com a Inglaterra. O líder da legenda, Gavin Robinson, afirmou que o futuro constitucional da região deve ser decidido por sua população, e não por comentários feitos em Londres, Dublin ou Washington. Ele também declarou que uma reunificação levaria à destruição do país.
Em Belfast, apoiadores da reunificação reagiram com cautela. Eamon Hanna, ligado ao partido nacionalista SDLP, disse acreditar que Trump buscava chamar atenção e questionou se o presidente realmente se importa com a existência de uma Irlanda unida.
A divisão entre as Irlandas foi definida em 1998, quando um acordo de paz encerrou décadas de violência entre nacionalistas e unionistas na Irlanda do Norte. O governo dos Estados Unidos teve papel fundamental na intermediação do tratado.
Posição do governo irlandês
Martin voltou a se encontrar com Trump no domingo (13), durante um almoço no resort onde ocorreu o torneio. O primeiro-ministro afirmou que as reações dos unionistas foram exageradas e disse que Trump tem uma perspectiva diferente sobre os assuntos. Também explicou como a região administrada pelos britânicos alcançou a paz.
Martin declarou apoiar a unificação, mas afirmou não acreditar que ela ocorra agora. Disse ainda que, se uma votação fosse realizada na próxima semana, provavelmente seria difícil que a proposta fosse aprovada.
Trump também mantém dois resorts de golfe na Escócia, que realizou um referendo na década passada sobre a separação ou a permanência no Reino Unido. Na votação, 55,3% dos participantes apoiaram a permanência. O governo do Reino Unido tem autoridade para decidir sobre um novo referendo, mas o primeiro-ministro Andy Burnham rejeitou essa possibilidade e também descartou uma votação semelhante na Irlanda do Norte.


