O livro “Gaton – A Força da Terra”, da escritora indígena Kaingang Kapri Audisseia Nascimento Padilha, foi apresentado na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em encontro com familiares, amigos, estudantes e professores. A obra trata da memória, da espiritualidade e da resistência do povo Kaingang, além de reunir reflexões e ensinamentos da cacica Iracema Gãh Té Nascimento, mãe da autora e liderança política e espiritual indígena.
O lançamento ocorreu na quinta-feira (10), em uma atividade mediada pela filósofa Magali Mendes de Menezes. A publicação é a primeira de Kapri Padilha e aborda a relação dos povos indígenas com a terra, a memória e o futuro. O território aparece no livro não apenas como espaço rural, mas também como lugar de luta por direitos, ancestralidade, espiritualidade, memória e vida.
A trajetória da cacica Iracema na defesa e na retomada de territórios ancestrais está entre os eixos da obra. O livro também destaca a importância de que as histórias indígenas sejam contadas por seus próprios autores e apresenta elementos da cosmologia Kaingang.
A publicação foi escrita em Kaingang e português, com tradução feita por Kapri Padilha e seu irmão, Adilson Karinde Nascimento Padilha. Conforme explicou Iracema Gãh Té, a escolha das duas línguas se relaciona à composição da família, formada por indígenas e não indígenas.
A produção contou com integrantes do povo Kaingang, principalmente da comunidade da Aldeia Gãh Ré, onde a autora mora, no Morro Santana, em Porto Alegre. Também participaram pessoas dos territórios de São Leopoldo e Canela. Fotografias do acervo pessoal da família foram incluídas no livro, assim como ilustrações feitas pelos netos da cacica a partir de histórias ouvidas em oficinas de desenho.
Kapri Padilha afirma que a inspiração veio da caminhada da família na luta por direitos. O processo de escrita envolveu a escuta da mãe e discussões com a comunidade para definir quais histórias e materiais seriam incluídos. A autora também descreveu como desafiadora a seleção do conteúdo, diante da quantidade de elementos considerados importantes pela comunidade.
A obra levou mais de dez meses para ser produzida. Foi idealizada por mãe e filha, com a colaboração da antropóloga Geórgia Macedo na escrita e de Ana Letícia Meira Schweig na edição e no projeto gráfico.
Os outros dois lançamentos terão entrada gratuita. No domingo (13), o encontro será realizado às 15h na Aldeia Gãh Ré, na rua Natho Henn, 55, Morro Santana, em Porto Alegre, com participação da autora e da cacica. Na quarta-feira (16), das 14h às 16h, o evento ocorrerá na Sala Pantheon do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS, na avenida Bento Gonçalves, 9500, também em Porto Alegre. A mediação ficará a cargo de Geórgia Macedo.


