RECIFE — Artistas de dança, teatro e performance podem se candidatar às oficinas do projeto Trilhas da Pelve, que serão realizadas em quatro unidades da Rede de Centros Comunitários da Paz (Compaz). A programação ocorre entre 19 de setembro e 11 de outubro, aos finais de semana, com turmas de 20 vagas e coordenação da dançarina Vivian Marvel.
A primeira atividade da nova etapa será no Compaz Leda Alves, nos dias 19 e 20 de setembro. O formulário fica disponível até 12 de setembro. Depois, o Compaz Miguel Arraes recebe a oficina em 26 e 27 de setembro, com prazo de inscrição até 19 de setembro. No Compaz Dom Hélder Câmara, os encontros serão em 3 e 4 de outubro, e as candidaturas poderão ser feitas até 26 de setembro. O ciclo termina no Compaz Paulo Freire, em 10 e 11 de outubro, com inscrições até 3 de outubro.
Como participar
As inscrições devem ser feitas em formulários on-line específicos, divulgados no perfil do projeto no Instagram, @trilhasdapelve. Podem participar pessoas de 18 a 70 anos que atuem nas áreas de dança, teatro ou performance. A seleção levará em conta critérios raciais, de gênero e sexualidade, territoriais e socioeconômicos, com prioridade para pessoas negras e indígenas, integrantes da comunidade LGBTQIAPN+, moradores das proximidades dos Compaz e artistas periféricos ou em situação de vulnerabilidade.
Cada oficina reservará cinco vagas para artistas com deficiência auditiva. Intérpretes de Libras acompanharão as atividades para garantir a acessibilidade comunicacional. As pessoas selecionadas serão informadas semanalmente pelo perfil do projeto e também por e-mail e WhatsApp. Depois de receber a comunicação, será preciso confirmar a participação em até 48 horas.
As oficinas anteriores, realizadas nos Compaz Ariano Suassuna e Eduardo Campos, já encerraram as inscrições. A formação tem carga horária de quatro horas, dividida em dois dias, e combina pesquisa histórica, referências culturais e prática corporal. Ao longo dos encontros, os participantes trabalham o reconhecimento anatômico, as possibilidades de movimentação da pelve e diferentes formas de expressão.
Conteúdo e objetivos
No primeiro dia, a programação aborda as origens e os contextos históricos das expressões estudadas, além de personalidades e curiosidades associadas a essas linguagens. No segundo, o foco passa por aspectos técnicos, criação coreográfica e experimentação de passos relacionados ao Twerk, Brega Funk e Funk. As identidades e referências ancestrais dos participantes servem de ponto de partida para as criações.
A proposta também relaciona os movimentos às histórias e às referências culturais dos territórios onde os participantes vivem. Vivian Marvel afirma que a iniciativa busca ampliar o acesso à formação em dança nas diferentes regiões do Recife, especialmente nas áreas atendidas pela Rede Compaz. A artista também atua como agente territorial do Ministério da Cultura.
Ao explicar o projeto, Vivian disse: “Nosso intuito é democratizar o acesso à cultura para diferentes áreas do Recife”. A iniciativa prevê ainda reunir informações sobre a presença dessas linguagens em diferentes regiões da capital pernambucana e construir uma cartografia sobre sua existência na cidade, com atenção ao Brega Funk, apontado pela coordenadora como uma linguagem original do Recife.
Ao fim do ciclo, os participantes serão convidados a criar obras coreográficas e performáticas, com possibilidade de incluir teatro e música. Os trabalhos deverão integrar a 2ª edição da Mostra de Danças Pélvicas, prevista para novembro, ainda sem data e local divulgados. Quem cumprir pelo menos 80% da carga horária receberá certificado.



