Um estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) relacionou o aumento do desmatamento na Amazônia à redução do volume de chuvas no Rio Grande do Sul. A pesquisa comparou dados de perda de vegetação com registros de precipitação coletados em 64 estações pluviométricas entre janeiro de 2011 e dezembro de 2023.
A análise identificou associação entre períodos de maior desmatamento e fases de diminuição das chuvas. O geógrafo Wagner Ribeiro, professor de pós-graduação em Ciência Ambiental na Universidade de São Paulo (USP), afirmou que os resultados reforçam a tese dos chamados rios voadores — correntes de umidade que transportam água da Amazônia para outras regiões do Brasil e da América do Sul.
Para Ribeiro, a conexão entre a cobertura vegetal amazônica e a precipitação em áreas distantes mostra que os sistemas naturais não se limitam às fronteiras políticas. “Quem vive no Sudeste e no Sul do país também tem que estar preocupado com o desmatamento da Amazônia”, afirmou.
Efeitos sobre o Rio Iguaçu
O pesquisador também destacou impactos sobre o Rio Iguaçu. O curso d’água está ligado a barragens usadas na geração de energia e ao abastecimento de parte expressiva da produção agrícola e industrial do Paraná.
Nesse contexto, Ribeiro citou o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que cria quatro unidades de conservação no Amazonas. As áreas somam aproximadamente 937 mil campos de futebol.
O geógrafo apontou dois aspectos da medida: a ampliação das áreas protegidas, que permite o uso sustentável das florestas com extração organizada de recursos, e a localização das unidades junto à BR-119. Para ele, a presença de áreas de conservação nas proximidades da estrada pode conter o avanço da devastação.


