SÃO PAULO — O Instituto Baru reúne, no bairro do Butantã, alimentos orgânicos e agroecológicos fornecidos diretamente por pequenos agricultores. A iniciativa foi criada em 2018 por pais de uma escola pública da região que se organizaram para comprar produtos saudáveis e, desde então, ampliou sua atuação junto aos consumidores e produtores.
A oferta inclui itens de diferentes partes do país. Produtos de armazém chegam da Amazônia, como café, e do Cerrado, como o baru. Já os alimentos da feira vêm principalmente de São Paulo e de municípios do entorno, entre eles Ibiúna e Sorocaba. A diversidade é apresentada como uma forma de aproximar o público de diferentes produções agrícolas.
O engenheiro aposentado Vanderlei Garcia passou a frequentar o local depois de procurar uma alternativa para o consumo de produtos vegetais. Ele afirma que encontrou preços razoáveis, especialmente no hortifruti, e que passou a fazer compras semanais no instituto.
Produção e conhecimento tradicional
A relação com os agricultores também envolve práticas de cultivo e conhecimentos transmitidos entre gerações. Lia Gois de Moura, produtora de Parelheiros, na zona sul de São Paulo, relata que aprendeu com a mãe, de origem indígena, métodos para afastar insetos e combinar diferentes plantas. Ela afirma que sua produção já seguia princípios orgânicos antes de obter certificação.
O Instituto Terra Viva participa da articulação de uma rede de fornecedores que reúne agricultores familiares e assentados da reforma agrária. Everton Bezerra de Oliveira, representante da organização, diz que produtores têm reconhecido os efeitos do uso de agrotóxicos sobre quem consome e também sobre quem trabalha no cultivo. Para ele, a produção orgânica envolve ainda a preservação da água e do solo e o uso reduzido de insumos.
No Baru, os preços indicados nas gôndolas são definidos pelos produtores. No caixa, os consumidores podem acrescentar uma contribuição voluntária para a manutenção do espaço. A sugestão é de 35% sobre o total da compra, mas o valor pode ser alterado. “A gente acha mais do que natural? Claro que pode, senão as pessoas estão trabalhando de graça, né?”, afirma o videomaker Sérgio Campos, frequentador desde o início.
A administração informa aos consumidores como os recursos são utilizados. A prestação de contas fica exposta atrás do caixa, ao lado da informação sobre os valores pagos aos produtores. Edgard Galvão, associado do instituto, afirma que a transparência é uma premissa da organização.
Expansão das atividades
O espaço recebe uma média de duzentas pessoas por dia. Além da comercialização de alimentos, a fundadora Juliana Mari Giovanardi afirma que o instituto pretende se tornar um polo cultural, com música, arte, dança, atividades de bem-estar, aulas de ioga, cinema e saraus com microfone aberto.
O Baru também quer oferecer formação aos agricultores e colaborar com a logística, apontada como um dos principais obstáculos para o pequeno produtor. Oliveira defende políticas públicas para ampliar a produção orgânica e agroecológica, argumentando que o setor ainda não produz em escala e que a produção de qualidade exige custos elevados.
Para o representante do Instituto Terra Viva, a participação do Estado é necessária para que os alimentos sejam produzidos e cheguem a espaços como o Baru. A iniciativa, segundo ele, atende moradores do entorno com alimentos de qualidade a preço justo, mas depende de uma estrutura capaz de apoiar produtores e transporte.


