O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) destinou R$ 200 mil em emendas parlamentares ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), entidade investigada por suspeita de ligação com Robson Calixto, conhecido como Peixe. Calixto foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por organização criminosa e é apontado como intermediário na obtenção dos recursos.
Ao todo, o Ifop recebeu R$ 2 milhões em emendas. Além do valor enviado por Flávio, a deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ) destinou R$ 300 mil, enquanto Chiquinho Brazão encaminhou R$ 1,5 milhão. A Polícia Federal investiga se os repasses fizeram parte de um esquema de desvio de dinheiro público ligado ao entorno da família Brazão.
Recursos e suspeitas de irregularidades
As emendas de Flávio e Chris Tonietto tinham como objetivo comprar chuteiras para projetos esportivos infantis. No caso do senador, a verba foi direcionada ao projeto Jogadores do Futuro. Pais de alunos disseram que os filhos não receberam os materiais previstos. No projeto Vencedores do Futuro, financiado pela emenda de Chris Tonietto, também não houve confirmação da entrega.
A execução dos recursos foi alvo de uma operação da Polícia Federal em julho, realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União. A apuração envolve suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Um relatório do Tribunal de Contas da União apontou possíveis irregularidades na compra de materiais pelo Ifop com a verba de Flávio. A auditoria afirmou que a entidade não procurou “condições vantajosas” para aplicar o dinheiro.
Mensagens encontradas no celular de Calixto registram pedidos à assessora de Flávio, Maria de Fátima Bezerra, conhecida como Fafá. Em outubro de 2023, ele pediu que ela verificasse com o senador a possibilidade de ajuda. A emenda foi enviada em 29 de novembro de 2023.
Calixto foi preso em maio de 2024. Em delação premiada, Ronnie Lessa afirmou que ele comprou a submetralhadora usada no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Em fevereiro deste ano, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Calixto a nove anos de prisão.
A assessoria de Flávio afirmou que a emenda seguiu a legislação e os critérios técnicos do Ministério do Esporte. Disse também que a execução cabe à entidade beneficiária. O Ifop negou relações com Calixto e com a família Brazão e declarou desconhecer a atuação dele na destinação do recurso.


