BERLIM — A Esquerda (Die Linke) foi a força mais votada nas eleições estaduais de Berlim no domingo (20), resultado inédito para o partido na capital alemã. A votação praticamente dobrou em relação à eleição anterior, retirou a União Democrata Cristã (CDU) da liderança e deixou sem maioria a coalizão formada por CDU e Partido Social-Democrata (SPD), que governava a cidade.
Projeção do instituto Infratest dimap aponta 25,7% para A Esquerda, seguida pela CDU, com 18,8%, pela Alternativa para a Alemanha (AfD), com 16,3%, e pelos Verdes, com 14,3%. O SPD ficou com 12,1%. O resultado representa outra derrota para a coalizão nacional de governo do chanceler Friedrich Merz.
Moradia no centro da campanha
A candidata principal de A Esquerda, Elif Eralp, de 45 anos, concentrou a campanha no custo da moradia, que definiu como “o maior problema social” de Berlim. Nascida em Munique e filha de militantes de esquerda que deixaram a Turquia depois do golpe de 1980, ela pode se tornar a primeira prefeita da capital alemã com origem migrante.
Eralp defende a estatização de grandes associações imobiliárias, abrangendo cerca de 220 mil unidades habitacionais. A proposta foi aprovada em referendo de 2021, com 58% dos votos, mas não foi implementada. Tim Kluessendorf, secretário-geral do SPD, estima que a transferência custaria cerca de 20 bilhões de euros.
SPD e Verdes indicaram que podem formar um governo com A Esquerda, mas condicionaram a aliança ao enfrentamento de acusações de antissemitismo contra setores da legenda em Berlim. O partido rejeita a existência de antissemitismo sistemático e afirma se opor a toda forma de hostilidade contra grupos sociais. Eralp declarou que pretende proteger as comunidades judaica, palestina e muçulmana.
AfD vence em outro estado
Também no domingo (20), a AfD ficou em primeiro lugar em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, com 38,2%, contra 35,5% do SPD. Foi a segunda vitória da extrema direita em um estado alemão em menos de um mês, após os 43,8% obtidos na Saxônia-Anhalt em 6 de setembro.
A CDU alcançou 4,9%, seu pior resultado em eleições estaduais, e pode não obter assentos no Parlamento regional pela primeira vez. Merz chamou o desempenho de “desastre” e disse que o partido foi “esmagado” pela disputa entre SPD e AfD. A copresidente da AfD, Alice Weidel, afirmou que a sigla “já substituiu” a CDU como “partido do povo”.


