O filósofo Vladimir Safatle defendeu que a esquerda assuma sua identidade e apresente claramente seu projeto durante a campanha do segundo turno presidencial. A disputa será entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), após os resultados do primeiro turno, realizado neste domingo (4). A votação decisiva está marcada para 25 de outubro.
Em conversa com o Brasil de Fato, Safatle avaliou que o Partido dos Trabalhadores terá de realizar, até o segundo turno, um esforço político de grande dimensão para tentar virar a eleição. Para ele, o resultado definirá os rumos do país pelos próximos dez ou 15 anos. O filósofo afirmou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro não representaria apenas um projeto de quatro anos.
Instituições e contenção democrática
Na avaliação de Safatle, entre 2018 e 2022, instituições como o Supremo Tribunal Federal e o Congresso funcionaram como barreiras ao avanço da extrema direita no Brasil. Ele disse, porém, não ter mais a mesma segurança de que a institucionalidade democrática conseguiria suportar um governo Bolsonaro.
O filósofo também afirmou que não existiria, em um novo governo, o mesmo sistema de contenção que teria marcado o primeiro governo Bolsonaro. Na análise dele, quando o fascismo retorna, volta com maior força destrutiva e procura identificar os espaços de resistência para atuar sobre eles.
Ao comentar o terceiro mandato do presidente Lula, Safatle disse que a política foi empurrada para os extremos, mas que, no Brasil, apenas a extrema direita ocupa esse polo. Por isso, avaliou que a esquerda não deveria continuar desempenhando esse papel sem assumir o próprio lugar e nome.
Referências internacionais
Safatle citou vitórias recentes da esquerda em outros países como exemplos de uma atuação baseada em propostas específicas. Entre os casos mencionados estão a vitória de Zohran Mamdani em Nova York e a conquista do partido Die Linke na prefeitura de Berlim, na Alemanha.
Ele destacou a defesa do congelamento de aluguéis pelos Socialistas Democráticos da América em Nova York e usou a medida para argumentar que pautas substantivas podem orientar a atuação da esquerda.


