Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a disputa pela Presidência entra em uma nova fase após o primeiro turno e será marcada pelo confronto entre seu projeto de desenvolvimento e o de Flávio Bolsonaro. Em pronunciamento neste domingo (4), o presidente reconheceu que esperava vencer na primeira votação, mas defendeu a continuidade das políticas de seu governo e criticou o histórico da família do adversário.
Para Lula, a presença de apenas dois candidatos no segundo turno permitirá tornar mais claras as diferenças entre as propostas. “O segundo turno é a hora de a gente mostrar a verdadeira fotografia do Brasil de hoje e o Brasil que a gente quer”, afirmou.
Prioridades apresentadas por Lula
O presidente disse que pretende manter os investimentos em educação, ciência, tecnologia e desenvolvimento industrial. Entre as propostas estão a expansão do ensino integral, o fortalecimento das universidades e dos institutos federais e o aumento da capacidade de produção nacional.
Também citou a exploração de terras raras e minerais críticos, novas descobertas de petróleo da Petrobras e medidas para fortalecer a indústria brasileira. Na área da saúde, defendeu ampliar a produção nacional de medicamentos essenciais e reduzir a dependência externa.
No campo social, Lula prometeu reforçar o Sistema Único de Saúde (SUS), a Farmácia Popular e as políticas de inclusão. Sobre a economia, defendeu responsabilidade fiscal, mas afirmou que o equilíbrio das contas públicas não deve ocorrer à custa das condições de vida da população.
O presidente lamentou ainda os resultados do campo progressista em São Paulo. Simone Tebet, Marina Silva e Fernando Haddad não foram eleitos para Senado e governo, respectivamente. Para Lula, a perda atinge o próprio estado. Ao final, declarou confiança na segunda etapa: “Nós vamos ganhar esta eleição”.
Estratégia de Flávio Bolsonaro
Com 99,86% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro registrava 47,06% dos votos válidos, contra 45,12% de Lula. O senador comemorou ter terminado à frente do adversário no primeiro turno e afirmou que o resultado representa o “fim da era do PT”. Também prometeu um governo com menos ministérios e mencionou as indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF) que caberão ao próximo presidente.
Flávio votou em uma escola de Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro (RJ), e acompanhou a apuração com a família em Brasília. Na reta final, sua campanha havia apostado no voto útil para atrair eleitores de candidaturas de direita e de centro.
Para a segunda etapa, a campanha pretende buscar o apoio de candidatos derrotados, entre eles Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury. Renan Santos ficou fora dos planos. Também estão previstas conversas com União Brasil, PP e Republicanos, além de esforços para ampliar a presença no Nordeste e obter maior engajamento de Tarcísio de Freitas, reeleito no primeiro turno.


