Luiz Inácio Lula da Silva aparece à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições, com 39% das intenções de voto contra 34%, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (28). No segundo turno, os dois registram 42% e ficam numericamente empatados.
Para Mara Telles, presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel) e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os temas econômicos exercem a maior influência sobre a escolha dos eleitores. Ela afirma que a decisão costuma se basear na percepção das pessoas, e não necessariamente nos indicadores econômicos.
Na avaliação da pesquisadora, a campanha de Lula conseguiu, na reta final, explorar essa percepção por meio do anúncio de medidas econômicas e sociais, como o Desenrola 3.0 e o reajuste do Bolsa Família. A estratégia também teria ampliado o apoio entre as mulheres. Telles aponta uma diferença de 11 pontos percentuais entre os candidatos nesse segmento e relaciona o movimento ao aumento do receio, entre as eleitoras, de uma vitória de Flávio Bolsonaro.
Outro fator citado por Telles é a proibição das bets no Brasil, anunciada pelo governo Lula na última sexta-feira (25). Segundo ela, a medida é aprovada por homens e mulheres.
A analista também atribui impacto eleitoral à polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Na avaliação dela, o episódio afetou a campanha de Flávio Bolsonaro ao alcançar eleitores católicos, grupo que não teria sido observado adequadamente pela campanha de Lula. Telles menciona ainda a manifestação da CNBB em defesa da democracia e da soberania.
Ela ironizou a mudança de posicionamento religioso atribuída a Flávio: “A santa transformou Flávio Bolsonaro de evangélico para católico em menos de 24 horas”. Para Telles, a redução do número de indecisos é esperada com o avanço da campanha, mas não significa necessariamente que esses eleitores já tenham definido o voto. A pesquisadora defende que os institutos apresentem com mais clareza o perfil desse grupo.


