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Estados Unidos concentram destinos de brasileiros que formalizaram saída fiscal

Receita Federal registrou 46.632 declarações até agosto de 2026; especialista diz que procedimento não prova, sozinho, abandono do país.

Estados Unidos concentram destinos de brasileiros que formalizaram saída fiscal

A declaração de saída fiscal não significa, por si só, que todo o patrimônio foi levado para fora do Brasil ou que a pessoa deixou o país em 2026. O procedimento formaliza perante a Receita Federal a condição de não residente e também pode ser usado por brasileiros que já viviam no exterior e só depois regularizaram a situação.

Os dados do Painel de Declarações de Saída Definitiva da Receita Federal mostram 46.632 registros até agosto de 2026. Em 2021, foram 25.806. A diferença corresponde a um crescimento de 80,7%. O volume dos primeiros oito meses de 2026 também supera as 31.706 declarações contabilizadas em todo o ano de 2025, alta de aproximadamente 47%.

Estados Unidos aparecem na liderança

Entre os registros de 2026, quase 26% indicam os Estados Unidos como destino. O país reúne 11.943 declarações, à frente de Portugal, com 8.825, e do Canadá, com 2.930.

Para Vinícius Bicalho, CEO da Bicalho Legal Consulting P.A. e professor de pós-graduação em Direito Migratório, a liderança americana está associada à reorganização de projetos profissionais, empresariais e familiares. Ele cita como fatores avaliados por quem parte a segurança jurídica, a previsibilidade econômica, a educação dos filhos, o acesso a consumidores e a possibilidade de receber em uma moeda estável.

“Os Estados Unidos continuam atraindo pessoas que desejam transformar experiência profissional, formação acadêmica ou trajetória empresarial em um projeto internacional”, afirma Bicalho.

O advogado também aponta que empresas brasileiras podem buscar os Estados Unidos para abrir operações, conquistar clientes, diversificar receitas e ampliar a competitividade. A transferência de executivos e profissionais especializados, nesse contexto, pode integrar uma estratégia de internacionalização sem necessariamente romper as relações com o Brasil.

Mudança exige planejamento

Na avaliação de Bicalho, o aumento das saídas fiscais não deve ser observado somente pelo aspecto tributário. Os registros podem refletir decisões relacionadas à carreira, aos negócios e à proteção patrimonial. Ao mesmo tempo, ele afirma que o movimento representa uma preocupação para o Brasil quando envolve a saída de profissionais qualificados, empresários, investidores e famílias com capacidade de gerar conhecimento, empregos e arrecadação.

A declaração de saída é apenas uma etapa de um projeto internacional. Antes de transferir a residência ou abrir uma empresa nos Estados Unidos, é preciso avaliar o caminho imigratório compatível com o perfil profissional, a estrutura do negócio e os objetivos familiares. A análise pode envolver formação acadêmica, experiência profissional, reconhecimento na área, capacidade de investimento, origem dos recursos, composição familiar e prazo para a mudança.

“Ter dinheiro para investir ou uma boa carreira não significa que qualquer visto atenderá ao caso”, orienta o especialista.

Empresas em expansão, executivos transferidos, profissionais de destaque e investidores têm necessidades diferentes, segundo Bicalho. Uma escolha inadequada pode limitar a atuação profissional, dificultar a gestão de um negócio ou criar problemas para dependentes. O planejamento, diz ele, também pode permitir a manutenção de vínculos econômicos e empresariais com o Brasil enquanto a pessoa ou a empresa amplia sua presença no mercado americano.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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