A Polícia Federal identificou uma ligação entre repasses feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, “Dark Horse”, e o crime organizado. A confirmação foi feita nesta quinta-feira (24) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A empresa Entre Investimentos teria atuado como intermediária do repasse.
As informações vieram a público um dia depois de ser divulgado que Flávio Bolsonaro (PL) viajou entre os Estados Unidos e o Brasil, em janeiro de 2025, em uma aeronave cuja estrutura societária incluía uma empresa que tinha Vorcaro entre os sócios.
Avaliação de cientista político
Para Paulo Niccoli Ramirez, cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), a tendência é que novas situações relacionadas ao caso apareçam. Ele afirmou que, se Flávio Bolsonaro chegar a um eventual segundo turno, a exposição sobre ele deverá se concentrar nos escândalos e na busca por foro privilegiado e proteção jurídica.
Ramirez também associou o financiamento de ações da família Bolsonaro ao Banco Master e disse que a candidatura de Flávio teria como objetivo obter blindagem institucional. Ao comentar os apoiadores do político, criticou aqueles que, em sua avaliação, rejeitam a identificação com o fascismo, embora adotem falas e comportamentos que ele relaciona a essa posição.
O professor atribuiu a divulgação das novas informações a uma crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF), que, segundo ele, teria sido provocada pelo ministro André Mendonça ao fazer críticas públicas a Alexandre de Moraes com objetivos eleitorais. Para Ramirez, o episódio pode revelar outros fatos. Ele resumiu sua avaliação dizendo que “apoiar Flávio Bolsonaro é ser conivente com a corrupção e a lavagem de dinheiro”.
Sobre a declaração de Luiz Inácio Lula da Silva de que uma maioria da direita no Legislativo seria um inferno, Ramirez concordou. Na avaliação dele, políticos conservadores são alinhados à política dos Estados Unidos e poderiam adotar uma postura que ameaçaria a soberania nacional. O cientista político defendeu que intelectuais, artistas e formadores de opinião se manifestem em favor de Lula.


