O índice global de preços dos alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) subiu 1,5% em setembro, na comparação com o mês anterior. Em relação ao mesmo período do ano anterior, a alta foi de 5,8%. Apesar do avanço, o indicador permanece muito abaixo do pico registrado em março de 2022.
A elevação foi associada pela FAO a perturbações no transporte marítimo no Mar Negro e no estreito de Ormuz, além dos efeitos da seca. Máximo Torero, economista-chefe da organização, afirmou que os impactos climáticos e os problemas nas rotas de navegação pressionam os preços da energia, do transporte e dos produtos agrícolas básicos.
Açúcar e cereais
O açúcar teve a maior pressão entre os itens destacados. Seu índice de preços avançou 6,1% em um mês e 14,7% em um ano, atingindo o nível mais alto desde a primavera de 2025. Foi o terceiro aumento mensal consecutivo.
O índice de cereais aumentou 5,1% em setembro ante agosto e acumulou alta de 17,2% na comparação com setembro de 2025. O trigo subiu 6,3% em um mês e 17,2% em um ano. A FAO relaciona o resultado aos ataques russos e ucranianos no Mar Negro e ao clima excessivamente seco em várias áreas da América do Norte antes do plantio.
Na Europa, a previsão é de queda acentuada na colheita de beterraba-sacarina por causa da seca. Também foram reduzidas as estimativas para a produção de açúcar na Tailândia e para a colheita de cana-de-açúcar na Índia, em razão do fenômeno El Niño. Chuvas intensas ainda prejudicam a colheita em regiões-chave do Brasil.
Em sentido contrário, o índice de preços da carne caiu 1,1% em um mês e ficou estável em um ano. O indicador de produtos lácteos recuou 0,1% no mês e 19,1% em um ano. Os preços do frango diminuíram com o aumento das exportações brasileiras e a menor demanda na Europa, após a suspensão das importações brasileiras na UE, que exige garantias de cumprimento de suas normas sanitárias.


