Influenciadores alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passaram a divulgar anúncios pagos que associam o crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro a apostas na Polymarket. A plataforma de previsões, bloqueada no Brasil desde abril, permite que usuários apostem dinheiro sobre resultados de eventos futuros, incluindo eleições.
As publicações foram feitas na plataforma X e aparecem acompanhadas de gráficos da empresa. Uma delas afirma que a probabilidade de Flávio Bolsonaro se tornar presidente do Brasil teria subido de 21% em julho para 58% no momento da postagem.
A legislação eleitoral brasileira proíbe que terceiros impulsionem propaganda em favor de candidatos. Também não permite doações de entidades estrangeiras para campanhas no país. A divulgação dos anúncios, portanto, ocorre em meio a suspeitas sobre eventual participação estrangeira na promoção da candidatura.
Rede de influenciadores
As contas identificadas incluem perfis próximos de Trump e do movimento Make America Great Again (MAGA), além de páginas que adotam aparência de veículos de notícias para abordar assuntos internacionais. O ex-deputado republicano Matt Gaetz, da Flórida, que tem 3,4 milhões de seguidores, publicou: “Flávio pode salvar o Brasil. Este é grande prêmio das Américas”.
Outro perfil é o da UHN Plus Media Network Inc., que declara ser “movida” pela Polymarket e reúne 1,2 milhão de seguidores. A empresa tem como vice-presidente Javier Negre, que foi sócio de Fernando Cerimedo no La Derecha Diario.
Cerimedo, ex-consultor de Javier Milei e amigo de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), está preso na Bolívia sob acusação de tentativa de homocídio contra sua então companheira, Nadia Beller. Ela afirmou que ele, que atuou na eleição de 2022, havia dito que trabalharia pela eleição de Flávio Bolsonaro.
O norte-americano George Behizy, com 639 mil seguidores no X, também participa das ações pagas. Ele já divulgou alegações falsas sobre fraudes nas eleições dos Estados Unidos e, neste domingo, publicou um anúncio dizendo que “tudo está prestes a mudar no hemisfério Ocidental”.
Conexões empresariais e pedido de investigação
A Polymarket tem Donald Trump Jr. como conselheiro. A empresa dele, 1789 Capital, investiu aproximadamente US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,5 bilhões, na plataforma fundada por Shayne Coplan. Depois da posse de Trump, Coplan participou de uma reunião da Rockbridge.
Em 12 de maio deste ano, Chris Applegate, assessor de Vance e responsável pelo controle da rede de doadores ligada ao trumpismo, registrou nos Estados Unidos a estrutura brasileira da empresa, no Estado de Wyoming. Pedro Sang, apontado como articulador da Rockbridge no Brasil, ficou responsável pela montagem da estrutura física do comitê de Flávio Bolsonaro em São Paulo.
Diante das suspeitas, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao Supremo Tribunal Federal uma investigação sobre possível financiamento estrangeiro da campanha.



