SANTA CATARINA — Os eleitores brasileiros devem chegar às urnas no próximo domingo (4) sem clareza sobre as propostas econômicas dos principais candidatos à Presidência, segundo a economista Monica Baumgarten de Bolle. Para ela, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que lideram as pesquisas, não apresentam planos definidos para lidar com a dívida pública, os juros, o crescimento e o endividamento das famílias.
A avaliação foi feita em entrevista nesta quinta-feira (1º). Monica, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics (PIIE), afirmou que falta aos candidatos uma abordagem mais clara sobre a política fiscal e os principais problemas econômicos do país. “O eleitor vai às urnas no domingo às cegas em relação às propostas econômicas dos candidatos”, disse.
Dívida pública e custo de vida
Segundo a economista, a dívida pública brasileira cresceu nos últimos tempos e está próxima de 83% do PIB. Ela considera necessário buscar uma solução, mas afirma que um ajuste imediato não seria possível diante das dificuldades políticas e da complexidade da questão fiscal.
Na avaliação de Monica, um eventual novo governo Lula manteria uma condução semelhante da questão. Sobre Flávio Bolsonaro, ela criticou a referência feita por seus assessores econômicos ao caso da Argentina como comparação para o Brasil, afirmando que os dois países não têm relação suficiente para esse paralelo.
O custo de vida também ganhou espaço nas campanhas, especialmente entre eleitores endividados. Para a economista, porém, os dois candidatos apresentam falhas tanto no diagnóstico quanto nas propostas para enfrentar esse problema.
Apostas online
Monica também relacionou as apostas online ao endividamento das famílias. Ela disse que ainda não existem dados para medir esse impacto, mas classificou as bets como um problema econômico e de saúde pública.
A economista defendeu soluções permanentes, incluindo a possibilidade de proibição, e afirmou que uma regulação mais ampla não seria suficiente. Para ela, o tema também precisa ser tratado sob a perspectiva da saúde pública; a proibição, embora bem-vinda, seria apenas um “tapa-buraco”.
Monica afirmou ainda que esta eleição se diferencia pela ausência de uma discussão econômica. Na avaliação dela, não há clareza sobre o que ocorrerá com as políticas de desenvolvimento e crescimento econômico, em um cenário que considera inédito pela falta de debate sobre o tema.


