A pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência enfrenta um novo foco de pressão após a divulgação de conversas em que o senador cobra de Daniel Vorcaro recursos para um filme sobre Jair Bolsonaro. A aproximação com o banqueiro, que está preso e negocia um acordo de delação premiada, se soma a acusações antigas de rachadinha e vínculos com milicianos, todas negadas pelo parlamentar.
Flávio tenta ampliar o eleitorado bolsonarista apresentando-se como uma alternativa mais moderada ao pai. Em vídeos publicados nas redes sociais, destaca que tomou vacina contra a covid-19, valoriza o Carnaval e aborda temas relacionados às mulheres. A estratégia também procura afastá-lo do estilo e de posições associados ao ex-presidente, preservando ao mesmo tempo o apoio de seus eleitores.
O senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparecem como os nomes mais fortes na disputa, com empate em um eventual segundo turno no agregador de pesquisas citado no levantamento. Desde que foi escolhido pelo pai para disputar a eleição pelo PL, em dezembro, Flávio subiu rapidamente nas intenções de voto.
O caso envolvendo Vorcaro
As conversas divulgadas em quarta-feira (13/5) mostram Flávio cobrando a liberação de valores para a produção do filme. O banqueiro teria repassado ao menos R$ 61 milhões no ano passado, enquanto o acordo de financiamento poderia chegar a R$ 134 milhões. Flávio afirma que buscava patrocínio privado para uma obra privada e nega ter oferecido vantagens, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro.
Para Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel, o episódio dificulta a tentativa de dissociar Flávio das controvérsias associadas ao sobrenome. Na avaliação dele, o senador precisa responder tanto pelas acusações de corrupção quanto pelo esforço de construir a imagem de um Bolsonaro moderado.
As acusações anteriores
As principais denúncias remontam ao período em que Flávio foi deputado estadual no Rio de Janeiro, entre 2003 e 2018. O Ministério Público acusou Fabrício Queiroz de operar um esquema no qual servidores devolviam parte dos salários. A denúncia mencionou 12 funcionários fantasmas, que teriam recebido R$ 6,1 milhões, além de depósitos em dinheiro e pagamentos de despesas familiares.
Flávio sustenta que Queiroz administrava uma parte da assessoria de rua e usava os recursos para contratar informalmente outras pessoas. O senador também afirma que nunca respondeu criminalmente pelo caso. O processo foi paralisado por decisões judiciais, e o Ministério Público informou que a investigação foi encerrada após decisão do ministro Gilmar Mendes, em fevereiro de 2025.
Também são questionadas as homenagens prestadas por Flávio a policiais militares, entre eles Adriano da Nóbrega, e a presença da mãe e da então esposa de Nóbrega em seu gabinete. O parlamentar diz que não conhecia as acusações criminais contra o policial quando o homenageou e nega ter defendido milícias.
A disputa pela imagem política
O PT explora as declarações de Flávio sobre a possibilidade de uso da força para garantir anistia ou indulto ao pai e o pedido para que os Estados Unidos bombardeassem navios na costa brasileira. A mensagem petista procura apresentá-lo como representante da extrema-direita, em contraste com a imagem moderada divulgada por sua campanha.
Damares Alves afirma que Flávio não estaria tentando ser uma versão moderada do pai, mas que já teria esse perfil. Janaína Paschoal, por outro lado, criticou o senador após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e disse que ele não teria condições de representar a direita.
A campanha ainda tenta conquistar eleitores jovens, mulheres e integrantes da classe média. Entre dezembro e maio, Flávio avançou nove pontos percentuais entre eleitores de 16 a 34 anos, chegando a 45%, contra 38% de Lula. Na classe média, passou a 44%, ante 40% do presidente. Entre as mulheres, foi de 31% para 36%, permanecendo atrás de Lula, com 45%.
Para Sanches, ainda existe uma parcela de 10% a 12% do eleitorado que não se identifica automaticamente com nenhum dos polos da disputa. Esse grupo pode ser decisivo, mas tende a definir o voto mais perto da eleição. Ao mesmo tempo, pesquisa de rejeição da AtlasIntel indicou resistência entre eleitores que não querem um governo semelhante ao de Jair Bolsonaro ou que associam Flávio a corrupção.



