A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência enfrenta novas dificuldades com investigações da Polícia Federal que atingiram aliados do senador no Rio de Janeiro. Entre os nomes envolvidos estão Rodrigo Bacellar, Márcio Poncio e Sóstenes Cavalcante, além do ex-governador Cláudio Castro, citado em planilhas apreendidas durante uma operação.
Em 2 de julho, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas à cúpula do jogo do bicho e a possível extensão do esquema a integrantes do Executivo e do Legislativo do Rio de Janeiro.
Planilhas encontradas com o bicheiro Adilsinho, também alvo da operação, registravam pagamentos indevidos, doações eleitorais, repasses a agentes políticos e uma contabilidade paralela destinada a ocultar movimentações de dinheiro ilícito. Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e ex-governador interino, aparece entre os aliados de Flávio Bolsonaro atingidos pela investigação. Ele já estava preso e foi alvo de um novo pedido de prisão.
Cláudio Castro também foi mencionado nas planilhas como possível beneficiário do esquema. Bacellar deverá ser transferido para um presídio de segurança máxima, pois a Polícia Federal o considera um “criminoso de alta periculosidade”.
Outros aliados investigados
Márcio Poncio, pastor e empresário do setor de tabaco, foi preso nesta semana. Ele é suspeito de lavagem de dinheiro e de envolvimento com esquemas criminosos ligados à chamada máfia dos cigarros e ao jogo do bicho, comandados por Adilsinho. Poncio já defendeu a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de Janeiro usando referências bíblicas.
Outro nome próximo de Flávio Bolsonaro sob investigação é o deputado Sóstenes Cavalcante, líder do partido do senador na Câmara. Ele é investigado na Operação Galho Fraco II, que apura um possível desvio de recursos da cota parlamentar por meio do aluguel de veículos.
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República afirmam haver “fundamentadas razões” para suspeitar que Sóstenes tenha usado empresas de fachada para lavar dinheiro desviado de verbas do Congresso.
Em dezembro, a Polícia Federal apreendeu R$ 468,7 mil na casa do deputado. O dinheiro estava embalado em saco plástico e escondido em um guarda-roupa. Sóstenes afirmou que a quantia vinha da venda de um imóvel em Minas Gerais, mas a negociação foi registrada em cartório 11 dias depois da apreensão.
Para os investigadores, a operação imobiliária pode ter sido “uma possível tentativa de fabricar um lastro retroativo para conferir aparência de licitude ao montante localizado”. A análise da origem do dinheiro identificou uma rede de empresas no mesmo endereço. Algumas não tinham funcionários registrados, embora apresentassem movimentação elevada, com saques que ultrapassaram R$ 15 milhões nos últimos anos.
Na ação realizada na última quarta-feira, 1º de julho, a Polícia Federal apreendeu aproximadamente R$ 160 mil e 502 dólares em espécie em endereços ligados ao deputado. Parte do dinheiro estava escondida em livros falsos.
As investigações se somam a outros episódios que afetam a campanha de Flávio Bolsonaro, como a Vaza Flávio, conflitos familiares e a atuação política do senador em defesa da classificação do Comando Vermelho como grupo terrorista pelo governo americano. Ao mesmo tempo, integrantes de seu grupo político passaram a ser investigados em apurações relacionadas ao mesmo grupo criminoso.
Sóstenes continua na liderança do partido de Flávio Bolsonaro na Câmara, apesar de a primeira ação da Polícia Federal contra ele ter ocorrido há sete meses. A sequência de investigações coloca sob pressão a composição política em torno da pré-candidatura presidencial.


