MONTES CLAROS — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou a relatoria do caso Master para fazer política e divulgar somente parte das conversas encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo Lula, Mendonça teria tornado públicas apenas as informações que lhe interessavam.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, o presidente disse que a autorização para que outros ministros do STF acessem os dados armazenados na nuvem poderá revelar referências a pessoas que, em sua avaliação, estavam sendo protegidas. Lula citou Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes entre os ministros que poderão consultar o conteúdo. “Agora é começar a vazar o que precisa vazar de verdade”, declarou.
Lula também mencionou o senador Flávio Bolsonaro, adversário político, ao afirmar que as informações ainda indicam que as apurações estão no começo. O presidente disse que o candidato do PL está envolvido nas irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Festas e investigações
O presidente voltou a falar sobre festas promovidas por Vorcaro com autoridades da República e defendeu que sejam esclarecidos os participantes, os gastos, os pagamentos e as pessoas que estiveram na casa umas das outras. Lula também mencionou a possibilidade de divulgação de informações sobre atos sexuais ocorridos nesses encontros.
Na entrevista, Lula defendeu que a decisão sobre a abertura de investigações contra ministros por eventual envolvimento ilícito com Vorcaro seja tomada de maneira conjunta pelo STF. A sessão que analisou o caso relacionado a Alexandre de Moraes terminou sem conclusão. O conteúdo atribuído ao celular de Vorcaro também menciona, de forma direta ou indireta, Dias Toffoli, Kássio Nunes Marques, Luiz Fux e o próprio Mendonça.
Lula afirmou que Moraes teve papel importante na defesa da democracia, mas avaliou que o ministro deve ser investigado pelo episódio. O presidente voltou ainda a defender a discussão de um mandato fixo para os integrantes do STF.


