O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou que o reajuste do Bolsa Família e a decisão de proibir as bets tenham sido tomadas para influenciar as eleições. As declarações foram dadas nesta quinta-feira (1º), durante entrevista ao Flow Podcast.
O benefício teve reajuste de 15,04%, elevando o valor mínimo de R$ 600 para R$ 691. Anunciada em 17 de setembro, a medida começa a valer em outubro e deve gerar impacto estimado de R$ 5,8 bilhões neste ano e de cerca de R$ 22 bilhões em 2027.
Lula afirmou que a correção foi possível porque havia espaço no orçamento e sustentou que o aumento apenas recompõe perdas causadas pela inflação. “Você não está dando aumento, está repondo o que a inflação comeu”, disse o presidente.
Comparação com o Auxílio Brasil
Questionado sobre a elevação do Auxílio Brasil durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, perto da eleição de 2022, Lula afirmou que apoiou a medida aprovada pelo Congresso. Para ele, a proximidade do pleito não deveria impedir a transferência de recursos à população de baixa renda.
Em 2022, o valor mínimo do programa passou de R$ 400 para R$ 600 a partir de agosto. A mudança foi autorizada por uma emenda constitucional que criou um adicional de R$ 200 até dezembro daquele ano. O pagamento começou menos de dois meses antes do primeiro turno, realizado em 2 de outubro.
Lula disse que, na ocasião, considerou correto conceder o benefício imediatamente, em vez de submeter a população pobre a um sacrifício por causa do calendário eleitoral.
Decisão sobre as bets
Na mesma entrevista, o apresentador Igor Coelho questionou a proibição das bets, anunciada nove dias antes do primeiro turno, e afirmou ter dificuldade em descartar um objetivo eleitoral na decisão.
Lula rejeitou essa interpretação. Segundo o presidente, integrantes de seu entorno político recomendaram que ele não proibisse as apostas por causa da possível reação de clubes de futebol e parlamentares. Ele afirmou que a medida buscou impedir que pessoas pobres comprometessem recursos destinados à alimentação dos filhos.
“Não há nenhuma prova de que isso tenha me dado voto até agora”, declarou. Lula também disse que as tentativas de regulamentação não resolveram o problema, porque novas plataformas continuavam a aparecer.
O presidente reconheceu que a medida provisória ainda precisa ser analisada pelo Legislativo para permanecer em vigor, mas afirmou acreditar que será mantida. Também disse duvidar que o Congresso tenha coragem de derrubá-la.


