O presidente da Rede, Paulo Lamac, afirmou que a estratégia de financiamento do partido priorizou candidaturas consideradas competitivas para a Câmara dos Deputados. A declaração foi dada após a campanha de Marina Silva solicitar mais recursos para a disputa pelo Senado.
Em nota, Lamac disse que a legenda está entre as que têm menor participação no Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Segundo ele, a distribuição também considerou a capacidade de cada candidatura de obter recursos privados para complementar o financiamento público.
No caso de Marina, o presidente da Rede afirmou que a arrecadação privada fez o volume total disponível para a campanha superar R$ 3 milhões. De acordo com Lamac, esse é, até o momento, o maior financiamento entre as candidaturas da Rede nesta eleição.
Pedido de reforço
A solicitação foi apresentada por Bazileu Margarido, coordenador-geral da campanha, à Comissão Executiva Nacional da Rede. Ele pediu o repasse adicional de R$ 1,2 milhão do FEFC, alegando que o diretório nacional havia criado uma reserva para candidaturas competitivas e estratégicas.
O requerimento sustenta que Marina deveria ser incluída nessa reserva porque aparece de forma consistente entre os primeiros colocados na corrida pelo Senado em São Paulo. Aliados da candidata afirmam que a direção da Rede não respondeu ao pedido.
A campanha recebeu R$ 1 milhão da legenda. Integrantes do grupo questionam o fato de o valor ser menor que o destinado a candidatos a deputado estadual, a outra candidata ao Senado e a alguns candidatos à Câmara. Marina aparece empatada em primeiro lugar nas pesquisas, segundo a campanha.
Dados do DivulgaCand consultados nesta quarta-feira, 23, mostram que André Janones recebeu R$ 3 milhões, Heloísa Helena obteve R$ 2,8 milhões e Luizianne Lins recebeu R$ 2,2 milhões. Marina também recebeu menos que Thiago Ávila, que teve R$ 1,5 milhão.
Na pesquisa Quaest, Luizianne registrou 19% das intenções de voto, em empate triplo dentro da margem de erro de três pontos porcentuais, com Cid Gomes, que marcou 25%, e Capitão Wagner, com 21%.
Divergência dentro do partido
Lamac declarou que a Direção Nacional reafirmou em diversas oportunidades a prioridade estratégica das candidaturas à Câmara. Segundo ele, a ampliação da bancada é importante para a consolidação institucional, política e parlamentar da legenda, mas o partido não impediu candidaturas ao Senado.
Na avaliação de aliados de Marina, o episódio se soma à disputa interna da candidata com o grupo de Heloísa Helena. Marina cogitou deixar a Rede neste ano, mas desistiu da ideia.
Os principais adversários de Marina também receberam valores superiores. Simone Tebet teve R$ 6,5 milhões, e Guilherme Derrite, R$ 5,85 milhões, de seus partidos.


