O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Mogi das Cruzes e Região, Valdir Fernandes, publicou um vídeo em que orienta policiais civis, militares e penais a não votarem pela continuidade do governo Tarcísio de Freitas. No pronunciamento, ele associa a eventual permanência do governador no cargo à manutenção de problemas salariais e estruturais enfrentados pela categoria.
Fernandes afirma que os profissionais da segurança pública terão papel importante na escolha do próximo governador de São Paulo. Em seguida, acusa Tarcísio de não ter cumprido promessas feitas durante a campanha que o levou ao Palácio dos Bandeirantes. Segundo o dirigente, o governador teria prometido melhores salários e condições de trabalho, mas não entregou nenhum dos dois compromissos.
Críticas a salários e estrutura
O presidente do sindicato cita problemas nas unidades da Polícia Civil e na frota usada pelos agentes. “Hoje, as delegacias estão caindo aos pedaços, viatura sucateada”, declarou.
A política salarial também é alvo da manifestação. Fernandes afirma que os policiais civis estariam entre o “vigésimo primeiro e vigésimo terceiro” lugar na evolução salarial entre carreiras policiais do país. No vídeo, ele não apresenta a fonte nem a metodologia usadas para chegar a essa posição.
O dirigente diz ainda não ver perspectiva de aumento caso Tarcísio seja eleito. Ao pedir que os policiais não desperdicem o voto, relaciona diretamente a possível vitória do governador à continuidade do que chama de uma das piores evoluções salariais do Brasil.
Embora comande uma entidade voltada aos policiais civis da região de Mogi das Cruzes, Fernandes dirige o apelo à chamada família policial, incluindo policiais militares e penais. A manifestação explicita a posição pessoal do dirigente sindical na disputa pelo governo paulista.
Disputa sobre os reajustes
O pronunciamento ocorre em um contexto de críticas de entidades policiais ao governo. Em fevereiro de 2026, sindicatos de diferentes carreiras da segurança pública participaram de um protesto em São Paulo contra a política salarial da administração estadual. Durante o ato, manifestantes gritaram “fora, Tarcísio” e “governador mentiroso”.
Parte da controvérsia envolve a forma de contabilizar os reajustes. O Palácio dos Bandeirantes divulga que policiais civis e militares acumularam 45,2% de aumento entre 2022 e 2025. Entidades representativas contestam esse cálculo porque o percentual inclui o reajuste de 20% concedido em 2022, ainda na gestão do então governador João Doria.
Como o aumento foi anunciado antes de Tarcísio assumir o governo de São Paulo, sindicatos e Executivo apresentam interpretações diferentes sobre a evolução salarial da categoria. É nesse cenário que Fernandes transforma as cobranças por remuneração e condições de trabalho em uma orientação eleitoral dirigida aos profissionais da segurança pública.


