O ex-secretário do Comércio Exterior Welber Barral afirmou que a interrupção dos serviços da Embaixada e dos consulados dos Estados Unidos no Brasil pode indicar interferência externa nas eleições brasileiras. Ele também ponderou que a medida pode ter sido adotada apenas por razões de segurança.
A declaração foi dada em entrevista nesta sexta-feira (2). O governo dos Estados Unidos informou que orientou funcionários da embaixada em Brasília e de outros consulados no Brasil a trabalhar remotamente depois de uma ameaça dirigida à missão diplomática norte-americana na capital federal.
Barral, que é especialista em Direito Internacional, disse haver possibilidade de intervenção dos governos dos Estados Unidos e da Rússia no processo eleitoral brasileiro, inclusive por meio do financiamento de grupos e organizações no país. Segundo ele, caberia ao Brasil reunir provas para avaliar a questão sob a perspectiva bilateral e do Direito Internacional.
O ex-secretário também afirmou existir uma política norte-americana voltada a favorecer eleições mais à direita na América Latina. Como exemplos, mencionou intervenções e financiamento de campanha na Colômbia, no Equador e no Chile, e disse que não seria surpreendente que algo semelhante ocorresse no Brasil.
Apesar do alerta, Barral evitou tratar a interrupção dos serviços diplomáticos como evidência definitiva de interferência. “Eu não dramatizaria tanto, porque não é algo totalmente inédito”, afirmou.
Instituições e redes sociais
Na avaliação do especialista, a solidez das instituições e do sistema eleitoral brasileiros ajuda a proteger o país de ações externas. Ele classificou como teoria da conspiração as denúncias relacionadas à câmara de votação feitas por pessoas que não concordam com o estado das eleições brasileiras.
Barral acrescentou que observadores internacionais da União Europeia, da ONU, da Unesco e da OEA estiveram no Brasil ao longo da semana para fiscalizar e verificar a situação das eleições.
O especialista, porém, apontou vulnerabilidade na atuação de grupos radicais, principalmente nas redes sociais. Ele afirmou que pode haver proliferação de notícias falsas e de robôs que impulsionam esse conteúdo, com eventual financiamento de potências estrangeiras.


