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Ataques a candidaturas LGBT+ se concentram em 224 contas, diz Sentinela

Levantamento identificou 13 mil comentários ofensivos com alvo definido e aponta maior incidência contra mulheres e pessoas negras LGBT+.

Ataques a candidaturas LGBT+ se concentram em 224 contas, diz Sentinela

A violência contra candidaturas LGBT+ monitoradas pela plataforma Sentinela atingiu principalmente mulheres e pessoas negras. Até a atualização mais recente do estudo, 92,7% das agressões foram dirigidas a candidaturas de mulheres LGBT+ e 83,6% tiveram como alvo candidaturas negras LGBT+.

O levantamento também identificou concentração das mensagens em determinados perfis. Entre os comentários ofensivos com alvo definido, 224 contas mais ativas responderam por 1.718 publicações. Ao todo, mais de 11 mil contas diferentes apareceram envolvidas nas agressões, a partir da análise de 13 mil comentários dirigidos a pessoas ou candidaturas identificáveis.

Como os comentários foram classificados

A Sentinela selecionou 307.185 comentários publicados no Instagram em contas de candidaturas que puderam ser monitoradas por apresentarem potencial de violência. O conjunto foi retirado de um universo de mais de 1 milhão de interações e reúne mensagens publicadas desde o início do período eleitoral.

Cada comentário passou por quatro critérios: a existência de violência, a identificação do alvo, a presença de componente LGBTfóbico e a relação direta desse componente com a candidatura monitorada. Com essa avaliação, a plataforma classificou 13 mil comentários como ofensivos com alvo definido.

O método combina coleta automatizada, classificação e inteligência artificial generativa. A metodologia foi desenvolvida pelo Instituto Plena Cidadania (IPC), organização da sociedade civil dedicada ao desenvolvimento de infraestrutura democrática no Brasil e responsável pelo VoteLGBT.

Além de identificar as contas envolvidas, a plataforma examina a repetição das agressões e sinais de atuação coordenada. Gui Mohallem, da direção executiva do IPC, citou como exemplo a reprodução da mesma mensagem por 63 contas em um intervalo muito curto contra uma candidatura de Goiás. Para ele, esse padrão indica que a ação pode envolver pessoas atuando em conjunto ou processos automatizados.

A Sentinela afirma adotar um critério conservador para reduzir falsos positivos. Comentários não são contabilizados quando o contexto é ambíguo, e a classificação não se baseia apenas na presença de palavras ou expressões específicas.

Denúncias e apoio às candidaturas

Segundo Alciana Paulino, líder de inteligência do IPC, o monitoramento permite observar uma violência em escala e velocidade que não seriam acompanhadas por um trabalho manual. A plataforma também recebe, por um canal próprio, capturas de tela de mensagens enviadas por caixa de entrada ou e-mail, além de relatos de outros episódios.

Mohallem afirmou que ameaças de estupro coletivo e de morte chegam com frequência por e-mail e caixa de entrada, algumas vezes por provedores localizados em países sem acordo com o Brasil. O Instituto Plena Cidadania também oferece atendimento psicológico sigiloso e gratuito pelo canal Cuida Mais, destinado a candidaturas e equipes atingidas pelos ataques.

Em 23 de setembro, o IPC protocolou uma notícia-crime na Justiça Eleitoral contra três candidatos a deputado federal por ataques discriminatórios contra deputadas federais candidatas à reeleição. A acusação apresentada buscou responsabilizá-los por tentar desqualificar as parlamentares por meio de ataques à identidade de gênero.

O monitoramento continua durante o processo eleitoral. A Sentinela também está sendo expandida para fora do Brasil e negocia parcerias para possível implementação na Argentina e no México em 2027, com foco na identificação e no enfrentamento da violência política na América Latina.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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