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Política

Estudo registra 354 casos de violência política antes das eleições

Mulheres foram vítimas de 50,6% dos episódios, enquanto apenas nove casos resultaram em punição efetiva dos autores.

Estudo registra 354 casos de violência política antes das eleições

Um estudo divulgado pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global registrou 354 casos de violência política entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026. O levantamento classifica o intervalo como o período pré-eleitoral mais grave da década, com uma ocorrência a cada 44 horas.

Mulheres foram vítimas de 50,6% dos episódios, embora ocupem cerca de 18% das cadeiras legislativas do país, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para Gisele Barbieri, coordenadora de incidência política da Terra de Direitos, a violência ameaça a vida de mandatários, a sustentabilidade do regime democrático e o funcionamento das instituições.

A violência física — que inclui agressões, atentados e assassinatos — teve homens como alvos em 77,2% dos casos. Já a violência simbólica, formada por ameaças e ofensas, atingiu mais as mulheres, que representaram 58,3% das vítimas. As 31 ameaças de violência sexual e os 67 episódios com conteúdo de conotação sexual ou comentários sobre corpo e aparência tiveram mulheres como alvo em 100% dos casos.

O estudo está em sua quarta edição e aponta que 96,3% dos episódios ocorreram contra ocupantes de cargos eletivos. Entre as mulheres vítimas, 64 de 179 eram pretas. Elas também corresponderam a 64 dos 84 episódios contra pessoas pretas, e 11 eram trans ou travestis. Quatro mulheres indígenas e uma amarela foram vítimas. Dos 32 alvos de ataques repetidos, 23 eram mulheres.

Violência concentrada nos municípios

Ao menos 63% dos casos ocorreram na política municipal, envolvendo vereadores e prefeitos. Dos 28 episódios com intenção de matar, 24 atingiram políticos que atuam nos municípios; nesse conjunto estão 10 dos 11 assassinatos e 14 dos 17 atentados registrados. Vereadores e vereadoras foram vítimas em 176 episódios, o equivalente a 49,6% do total, com uma média de três ocorrências para cada mil vereadores eleitos em 2024.

As quatro ameaças assinadas por grupos ou perfis declaradamente neonazistas ou supremacistas tiveram como alvo mulheres pretas: a prefeita Professora Nilda (RN) e as vereadoras Alice Carvalho (RS), Vivi Reis (PA) e Adriana Gerônimo (CE).

A pesquisa registrou denúncia formal ou pública em pelo menos 300 episódios, ou 84,5% do total. Apenas 46 casos, equivalentes a 13%, tinham apuração judicial ou policial em curso, e nove — 2,5% — resultaram em punição efetiva. Em 64 episódios, ou 18,1%, o agressor também tinha mandato eletivo ou cargo público. Policiais e outros agentes estatais foram apontados como agressores em 29,9% dos casos.

Para Franciele Petry, uma das coordenadoras da pesquisa, a violência pode intimidar novas candidaturas e impedir a participação plena de mulheres, pessoas negras, transexuais e pessoas LGBTQIAP+. Em 2025, ano sem eleições, foram registrados 225 casos. As entidades informaram que os números da campanha eleitoral de primeiro turno seriam divulgados na semana seguinte.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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