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Política

Paraná registra 31 casos de violência política antes da campanha eleitoral

Estado teve o segundo maior número de ocorrências no período pré-eleitoral, atrás de São Paulo, segundo pesquisa de Terra de Direitos e Justiça Global.

Paraná registra 31 casos de violência política antes da campanha eleitoral

O Paraná registrou 31 casos de violência política no período anterior ao início da campanha eleitoral, o segundo maior número entre os estados brasileiros. São Paulo teve 67 ocorrências, enquanto o Rio de Janeiro contabilizou 28. Os dados fazem parte da 4ª edição da pesquisa Violência Política e Eleitoral no Brasil, produzida por Terra de Direitos e Justiça Global e divulgada nesta quarta-feira (30).

O levantamento identificou 354 casos em todo o país entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026. Foram consideradas notícias e denúncias públicas de violência contra pessoas candidatas ou eleitas nos níveis municipal, estadual e federal. No Paraná, os 31 episódios ocorreram em 9 municípios.

Assassinato e comparação com a pesquisa anterior

Entre os 11 assassinatos identificados no estudo, um ocorreu no Paraná. O vereador eleito por Salto do Itararé, João Domiciano Neto (União Brasil), foi morto em novembro de 2024. Investigações da Polícia Civil apontaram a participação do suplente de vereador Odair José Carvalho da Silva (União), que assumiria o cargo após a morte de João.

O número de casos no período pré-eleitoral já supera o registrado na 3ª edição da pesquisa, lançada em 2024, quando foram identificadas 30 ocorrências no estado. Gisele Barbieri, coordenadora do Setor de Incidência da Terra de Direitos e uma das organizadoras do estudo, afirmou que a comparação é preocupante porque a edição anterior também reunia episódios do período eleitoral das eleições municipais.

Na avaliação de Barbieri, eleições municipais tendem a concentrar mais casos por envolverem candidaturas em todos os municípios. Ela também relacionou o aumento no Paraná a uma renovação dos governos e das câmaras municipais, mas destacou a quantidade de episódios contra mulheres.

Mulheres são maioria entre as vítimas

Dos 31 casos registrados no Paraná, 25 foram direcionados a parlamentares mulheres, o equivalente a 80%. Elas foram as únicas vítimas das ofensas identificadas, que representaram 68% das violências mapeadas no estado. A pesquisa também registrou ameaças, agressões físicas, atentados e criminalização.

Em Curitiba, onde ocorreram 61% das violências contabilizadas, o número de vereadoras passou de 8 para 12 nas últimas eleições municipais. Barbieri associou o crescimento da participação feminina a ações afirmativas, novas regras de cotas de gênero e à destinação obrigatória e ao aumento de recursos para essas candidaturas. Para ela, as medidas precisam ser acompanhadas por respostas aos casos contra mulheres parlamentares e candidatas.

As vereadoras eleitas na última eleição também foram alvo de comentários misóginos no dia da posse, em 1º de janeiro de 2025. Um blog de notícias comentou as roupas das parlamentares e afirmou que elas “resolveram sexualizar com decotes provocantes”.

Mais de 40% dos casos no Paraná atingiram parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT). Dos 13 episódios relacionados ao partido, 11 tiveram mulheres como vítimas. Marilda Ribeiro da Silva, advogada e Secretária de Mulheres do PT Paraná, disse que o número pode ser maior porque a metodologia, baseada no monitoramento de notícias, não alcança casos que não foram denunciados publicamente.

Segundo Marilda, o estado tem 27 vereadoras e muitas já teriam registros de violência política. Ela afirmou que algumas mulheres deixam de denunciar por medo de se expor e por precisarem reviver impactos físicos e psicológicos. Também apontou situações em que o Judiciário não reconhece a violência política de gênero mesmo diante de evidências.

Machismo, racismo e xenofobia

Mais da metade dos casos no estado teve machismo ou misoginia entre suas características. A deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT), por exemplo, foi criticada por suas roupas e atacada pelo deputado Ricardo Arruda (PL) depois de pedir a substituição do parlamentar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), alegando excesso de faltas.

O racismo apareceu em 1 a cada 4 episódios registrados no Paraná contra uma mulher negra. Em novembro de 2024, a deputada federal Carol Dartora (PT) denunciou ameaças de morte com conteúdo racista. Em março de 2023, a vereadora de Pinhais, Miss Preta, relatou ter recebido mensagens racistas no Instagram.

Vanda de Assis (PT), primeira vereadora nordestina de Curitiba, também foi alvo de xenofobia durante um episódio na Câmara Municipal. A vereadora Tathiana Guzella (PL) sugeriu que Vanda retornasse ao Ceará, seu estado natal.

A pesquisa, que reúne dados desde 2016, já contabiliza 1.937 episódios de violações contra agentes políticos e lideranças. O intervalo entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026, com 354 casos, tornou-se o período pré-eleitoral com o maior número de registros dos últimos 10 anos.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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