Uma juíza dos Estados Unidos autorizou a Paramount a concluir a aquisição da Warner Bros. Discovery, operação avaliada em US$ 110 bilhões. A decisão encerra um impasse de meses e permite o avanço de uma das maiores fusões da história do setor de mídia.
Araceli Martínez-Olguín, do Tribunal Distrital dos EUA, aprovou um acordo firmado pelas empresas com um grupo de 12 estados liderado pela Califórnia. Os estados buscavam impedir a operação sob o argumento de que a união poderia reduzir a concorrência e ampliar o poder da companhia para elevar os preços de filmes e programas de televisão.
O compromisso, firmado em 21 de setembro, terá validade de cinco anos. A Paramount deverá cumprir cotas de lançamento de filmes nos cinemas e manter negociações separadas com operadoras de TV a cabo para os canais pertencentes à Warner.
A decisão também determina a criação de um conselho editorial destinado a preservar a independência das redes CBS e CNN. A juíza considerou o acordo uma solução "razoável, tanto factual quanto legalmente" e rejeitou a alegação de que o conselho violaria a Primeira Emenda da Constituição dos EUA.
Grupos contrários à fusão haviam enviado cartas ao tribunal pedindo que o acordo fosse rejeitado. Para Martínez-Olguín, porém, a expectativa de que as medidas ultrapassassem as obrigações previstas em lei não era suficiente para impedir a resolução negociada entre as partes.
Nova liderança
Com a aquisição próxima de ser concluída, a Paramount anunciou uma mudança no comando. Ynon Kreiz, que liderou a Mattel por anos, será co-CEO da companhia combinada a partir da conclusão da operação.
Kreiz dividirá a função com David Ellison, que continuará como presidente do conselho. Os executivos da empresa se reportarão aos dois.
Em comunicado, a Paramount afirmou que a nomeação integra o plano de buscar a aquisição da Paramount e da Warner Bros. Discovery e, depois, contar com um executivo para integrar, operacionalizar e administrar os negócios.
Na Mattel, Kreiz conduziu a expansão da empresa de brinquedos para o setor de entretenimento. A estratégia transformou propriedades intelectuais em filmes, programas de televisão e jogos digitais, incluindo o filme "Barbie", que se tornou um sucesso mundial de bilheteria e impulsionou a demanda pelos produtos da companhia.


