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Tragédia no Himalaia expõe disputa sobre como a China é retratada

Artigo questiona o uso das inundações em Gyirong para atacar o governo chinês e defende uma cobertura centrada nos resgates e nas vítimas.

Tragédia no Himalaia expõe disputa sobre como a China é retratada

As inundações que atingiram a cidade no último dia 26, na fronteira entre a Região Autônoma de Xizang, na China, e o Nepal, deixaram 43 mortos confirmados pelo governo chinês. O desastre ocorreu após o deslizamento de uma geleira situada no lado nepalês, em um episódio que também levantou dúvidas sobre os limites entre informar uma tragédia e usá-la para sustentar uma disputa política.

O colapso aconteceu a 5.200 metros de altitude. Ao descer até Gyirong, localizada a 1.800 metros, a massa carregou rochas, gelo e sedimentos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos registrou o impacto como um evento sísmico de magnitude 5,2 graus na Escala Richter. A chegada da inundação teria ocorrido entre cinco e sete minutos depois do deslizamento, intervalo que ajuda a explicar a ausência de registros feitos por moradores durante o avanço da água.

A cobertura e o foco no resgate

A hipótese apresentada é que o deslizamento tenha relação com o degelo da Cordilheira do Himalaia, processo associado à crise ambiental. Um estudo publicado em 2019 estimou que um terço das geleiras do Himalaia pode derreter até 2100, afetando até 2 bilhões de pessoas. A região concentra a maior quantidade de gelo do planeta fora dos polos.

O artigo critica a forma como veículos do Norte Global trataram o episódio. Na avaliação de Janelson Ferreira, integrante da coordenação nacional do MST, parte da cobertura teria transformado as mortes e o desaparecimento de pessoas em argumento contra o governo chinês e o modelo político vigente no país desde 1949.

Uma publicação britânica questionou a suposta falta de informações e criticou a responsabilização de pessoas que espalham notícias falsas. Ao mesmo tempo, afirmou que as autoridades concentravam sua comunicação nas operações de resgate e que as redes sociais chinesas exibiam manifestações de tristeza e luto. Para o autor, a prioridade dada ao socorro é compatível com o papel esperado das autoridades durante uma emergência.

Outra emissora britânica afirmou que imagens das inundações estariam sendo censuradas e que havia poucas informações sobre as vítimas. O próprio conteúdo, porém, registrou atualizações diárias sobre mortos e desaparecidos, além da divulgação das operações de resgate e dos riscos relacionados a um lago de contenção que poderia transbordar. O artigo vê contradição entre essa descrição e a acusação de censura sistemática.

Comparações e disputa política

A análise também contesta a comparação entre a cobertura chinesa e a nepalesa feita por um jornal dos Estados Unidos. Segundo o texto, a publicação reconheceu que os dois países destacavam os esforços de resgate, mas criticou a mídia chinesa por não exibir nomes e rostos de desaparecidos e parentes. Para Ferreira, a exposição dessas pessoas não é necessária para informar e pode levar à espetacularização do sofrimento.

O artigo compara esse tratamento com a cobertura de acontecimentos nos Estados Unidos. Em 2005, o furacão Katrina destruiu Nova Orleans, e o socorro levou semanas para começar de forma efetiva. Em 2013, veio a público o Programa Prism, que permitia ao governo estadunidense acessar servidores de grandes empresas de tecnologia, com anuência delas, para espionar milhões de cidadãos. Na avaliação apresentada, esses episódios não foram usados para questionar a legitimidade do sistema político ou econômico norte-americano.

O texto também afirma que equipes do Brasil de Fato e da TeleSUR foram a Gyirong e produziram imagens no local, assim como equipes da CNN e da Reuters. Os trabalhos dos correspondentes Mauro Ramos e Bruno Falci são apresentados como exemplos de uma cobertura que não teria usado a tragédia como instrumento de ataque político.

A conclusão é que reconhecer contradições internas da China não significa equipará-las às causas das tragédias ambientais ou aceitar comparações consideradas inadequadas. O artigo contrapõe, de um lado, um país que teria participado de mais de cem intervenções, invasões ou conflitos militares em 80 países e, de outro, uma nação que, após sua Revolução, teria retirado mais de 800 milhões de pessoas da pobreza e defendido uma “comunidade com futuro compartilhado” baseada na cooperação e no benefício mútuo.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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