Michele Bachelet anunciou que não seguirá na disputa pelo cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A ex-presidenta do Chile comunicou a decisão nesse sábado (19), em um vídeo publicado em sua conta no Instagram, e afirmou que não se arrepende de ter aceitado o desafio.
Bachelet disse que sua candidatura ia “contra a corrente” por defender princípios progressistas. No pronunciamento, mencionou a pressão contra o multilateralismo, o direito internacional, o reconhecimento das mudanças climáticas, a democracia e os direitos humanos. Para ela, esses princípios estão sob ameaça ou vêm sendo negados, apesar das evidências científicas relacionadas às mudanças climáticas.
A ex-presidenta agradeceu ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e à presidente do México, Claudia Sheinbaum. De acordo com Bachelet, os dois apoiaram sua candidatura desde o início.
Perda de apoio
Bachelet não apresentou, no vídeo, os motivos específicos para retirar sua candidatura. Em março, porém, o recém-empossado presidente do Chile, José Antonio Kast, deixou de apoiar a indicação. A candidatura havia sido apresentada no mês anterior com o respaldo do ex-presidente chileno Gabriel Boric.
Na última sexta-feira (19), consultas informais entre integrantes do Conselho de Segurança indicavam que Bachelet havia obtido apenas um voto de incentivo. Outros 11 integrantes se posicionaram contra sua candidatura.
A chilena foi presidenta do país por dois mandatos. Na ONU, ocupou o cargo de subsecretária-geral e dirigiu a ONU Mulheres de 2010 a 2013. Durante sua gestão, o órgão liderou, apoiou e coordenou iniciativas globais voltadas à igualdade de gênero e ao empoderamento das mulheres. Bachelet também foi Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos de 2018 a 2022.
Com a saída de Bachelet, permanecem na disputa Rebeca Grynspan, ex-presidente da Costa Rica e líder da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento; Rafael Mariano Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), indicado pela Argentina; e Macky Sall, ex-presidente do Senegal, indicado pelo Burundi.



