Michelle Bachelet anunciou neste sábado (19) que retirou sua candidatura ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A ex-presidente do Chile tentava suceder António Guterres, cujo segundo mandato termina no fim deste ano.
A desistência ocorreu depois de Bachelet receber 1 voto favorável, 11 contrários e três abstenções na consulta informal mais recente do Conselho de Segurança. Na rodada anterior, realizada em agosto, ela havia obtido 2 votos favoráveis, 6 contrários e 7 abstenções.
Em uma publicação no Instagram, Bachelet afirmou que não se “arrepende de ter assumido este grande desafio”. Segundo ela, a candidatura também contribuiu para colocar em debate a possibilidade de uma mulher latino-americana ocupar a liderança da organização.
A ex-presidente relacionou sua decisão à defesa do multilateralismo, do direito internacional, da democracia e dos direitos humanos. “Estou convencida de que este era precisamente o momento de erguermos nossas vozes em defesa desses princípios”, escreveu.
Apoios e próximos passos
Brasil e México apoiaram a candidatura, mas o Chile retirou seu respaldo durante o processo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu Bachelet em Brasília como parte das articulações para a sucessão na ONU.
Na consulta mais recente, Rebeca Grynspan, da Costa Rica, obteve nove votos favoráveis. Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana, recebeu oito. A definição do próximo secretário-geral ainda precisará passar por novas etapas no Conselho de Segurança e pela aprovação da Assembleia Geral.
Bachelet foi presidente do Chile entre 2006 e 2010 e voltou ao cargo de 2014 a 2018. Durante sua trajetória nas Nações Unidas, comandou a ONU Mulheres e ocupou a função de alta comissária para os Direitos Humanos.


