A notícia e o que está por trás
Brasil

Cancelamento de debate eleitoral expõe divergências sobre regras e participação de candidatos

Francisco Fonseca contestou a justificativa da Globo e disse que o episódio favoreceu Flávio Bolsonaro, mas teve impacto limitado na eleição.

O debate presidencial tradicionalmente promovido pela Rede Globo antes do primeiro turno não foi realizado neste ano. A emissora cancelou o programa pouco antes do horário previsto para a transmissão ao vivo, após decisões relacionadas à presença dos candidatos.

Flávio Bolsonaro (PL), que aparecia em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, desistiu de participar depois que a Justiça autorizou a presença de Renan Santos (Missão). Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia recusado o convite no dia anterior. Em nota, a Globo atribuiu o cancelamento às decisões judiciais e mencionou insegurança jurídica.

O cientista político Francisco Fonseca rejeitou a justificativa e também o argumento de que teria havido censura. Para ele, um debate depende da disposição dos candidatos e não pode ser tratado como uma obrigação. Fonseca apoiou a decisão da ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Stella Aranha, que impediu a permanência de um púlpito vazio com o nome de Lula no estúdio.

“É uma perversão da própria democracia. Um debate é feito a partir de um convite”, afirmou Fonseca. Na avaliação dele, a sequência de acontecimentos indicou que a Globo e a Faria Lima atuaram em favor de Flávio Bolsonaro. O cientista político também citou o histórico da emissora durante a ditadura militar e na eleição de Collor para sustentar sua crítica.

Apesar disso, Fonseca avaliou que o cancelamento teve importância limitada. Ele disse que o episódio de Nossa Senhora Aparecida, o escândalo do Banco Master e a disputa no Supremo tiveram impacto maior do que uma narrativa de censura, que, segundo ele, não correspondeu ao que ocorreu.

Fonseca também defendeu uma revisão do formato dos debates. Para ele, o modelo atual é rígido e passou a ser usado principalmente para gerar cortes destinados às redes sociais, deixando em segundo plano a comunicação de ideias.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.