SÃO PAULO — O assalto ao Bar Bodega, em Moema, na zona sul de São Paulo, terminou com dois clientes mortos e nove pessoas presas injustamente. O crime ocorreu na madrugada de 10 de agosto de 1996 e provocou uma investigação marcada por falhas policiais, de outras autoridades e da imprensa.
Adriana Ciola, estudante de odontologia de 23 anos, e José Renato Tahan, dentista, foram mortos a tiros durante a invasão do bar por assaltantes armados. O estabelecimento era frequentado por artistas e tinha entre seus proprietários os atores Luís Gustavo, Cássio Gabus Mendes e Tato Gabus Mendes.
Prisões e reviravolta
A pressão por uma resposta imediata levou nove inocentes a serem torturados, obrigados a confessar e presos. Eles eram negros e moradores de Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Os verdadeiros ladrões eram da região central da capital paulista e, conforme o relato do caso, todos eram brancos.
O promotor responsável pelo processo, o procurador de Justiça Eduardo Araújo da Silva, pediu a libertação dos presos. A decisão provocou críticas, inclusive de familiares de uma das vítimas. “Tive que ouvir da família de uma das vítimas: você matou a minha filha pela segunda vez”, afirmou o procurador.
A revisão do inquérito alterou os métodos de investigação. Segundo Eduardo Araújo da Silva, o reconhecimento de suspeitos pelas vítimas, antes feito por porcentagem, evoluiu e se tornou mais eficiente. A história do caso é apresentada no True Crime desta semana, com os detalhes das falhas que marcaram a apuração.


