WASHINGTON — O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou nesta terça-feira (22) que Washington é incapaz de aceitar a independência e a soberania de Cuba. A declaração respondeu ao discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em uma mensagem publicada nas redes sociais, Rodríguez disse que Cuba não representa ameaça aos Estados Unidos ou a outros países. Também criticou as medidas de pressão econômica aplicadas contra a ilha e afirmou que o bloqueio, incluindo o cerco energético, ameaça Cuba e outras nações.
Trump declarou na ONU que sua administração pretende promover uma mudança de regime em Cuba e ampliar a pressão econômica. O presidente classificou o país como um Estado absolutamente falido e afirmou que o atual governo cubano cairá em breve. Também justificou a política de Washington como uma questão de segurança nacional e disse que os Estados Unidos não permitirão um refúgio para adversários estrangeiros.
O presidente afirmou ainda que o secretário de Estado, Marco Rubio, conduz negociações com Cuba. A declaração contrasta com a posição reiterada por Havana de que não existem conversas formais com Washington.
Críticas à política dos Estados Unidos
A reação de Rodríguez ocorreu um dia depois de sua participação em uma reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada nesta segunda-feira (21), durante o 81º período de sessões da Assembleia Geral da ONU. Na ocasião, ele afirmou que a suposta luta dos Estados Unidos contra o narcotráfico serve de pretexto para militarizar a América Latina e o Caribe.
O chanceler também apontou como preocupações as tarifas aplicadas contra países da região, iniciativas que, segundo ele, buscam dividir os governos latino-americanos e caribenhos e tentativas de enfraquecer mecanismos de integração. Rodríguez disse ainda que Cuba vê uma ofensiva para impor a Doutrina Monroe.
Desde o início de setembro de 2025, as Forças Armadas dos Estados Unidos realizam uma campanha de bombardeios contra pequenas embarcações que Washington aponta como ligadas ao tráfico de drogas. Relatórios das Nações Unidas e de organizações de direitos humanos registram mais de 68 ataques ou bombardeios, com mais de 230 mortos. Entre as vítimas havia pessoas que exerciam a pesca na Venezuela, em Trinidad e Tobago e na Colômbia.
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, e relatores especiais do Conselho de Direitos Humanos da ONU condenaram as operações. Eles questionaram a legalidade dos ataques e disseram haver fundamentos razoáveis para acreditar que os bombardeios sistemáticos poderiam constituir crimes contra a humanidade de assassinato segundo o direito internacional.
Cuba prepara ainda um projeto de resolução pelo fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos contra a ilha. A proposta será apresentada e submetida à votação formal nos dias 27 e 28 de outubro, na Assembleia Geral das Nações Unidas.


