NOVA YORK — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (22), durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, que seu governo poderá usar força militar para proteger interesses americanos no Hemisfério Ocidental. A sessão começou na sede da ONU, em Nova York, e está prevista para continuar até segunda-feira (28).
Trump relacionou a declaração à classificação, feita recentemente por Washington, de facções criminosas da América Latina como organizações terroristas. Entre os grupos citados estão o PCC e o Comando Vermelho, do Brasil.
“Os Estados Unidos não permitirão mais que ameaças à América ganhem terreno em qualquer parte do Hemisfério Ocidental”, afirmou Trump. Na sequência, disse que, se necessário, o país recorreria a seu poderio militar para assegurar interesses nacionais considerados vitais.
Cartéis e tráfico de drogas
O presidente americano comparou os cartéis de drogas ao Estado Islâmico e defendeu que seus integrantes sejam mortos, banidos ou detidos como combatentes inimigos sem possibilidade de libertação. Trump também declarou que os Estados Unidos realizaram dezenas de ataques contra embarcações ligadas a cartéis de drogas e destruíram 97% dos entorpecentes que chegavam às águas oceânicas e marítimas.
O combate ao tráfico de drogas foi apresentado por Washington como justificativa para a operação militar que retirou Nicolás Maduro do poder na Venezuela. Esse episódio alimentou temores de uma possível tentativa de interferência no Brasil. Na semana passada, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertou para um “risco crítico” relacionado à possibilidade de isso ocorrer nas eleições brasileiras.
Antes de Trump, o presidente Lula fez o discurso de abertura da Assembleia Geral. Ele afirmou que “a democracia está novamente em xeque” e que a América Latina voltou a presenciar ingerência externa em processos eleitorais. Também declarou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém.


