As eleições para os governos da Bahia, do Ceará e de Pernambuco apresentam disputas apertadas ou competitivas em estados onde Luiz Inácio Lula da Silva tem larga vantagem eleitoral. O cenário também pode influenciar a corrida presidencial, em um movimento que aproximou as campanhas estaduais das disputas entre lulismo e bolsonarismo.
Na semana passada, Flávio Bolsonaro esteve na região com uma estratégia voltada à conquista de votos. As pesquisas mais recentes, porém, mostram situações diferentes em cada estado. Em Pernambuco, João Campos e Raquel Lyra aparecem tecnicamente empatados: ela tem 48,6%, e ele, 47,4%, segundo a Atlas/Intel. No Ceará, Ciro Gomes registra 45%, contra 34% do governador Elmano de Freitas, conforme a Quaest. Na Bahia, ACM Neto lidera com 51,3%, enquanto o governador Jerônimo Rodrigues tem 43,6%, de acordo com a Futura Inteligência.
As alianças em Pernambuco e no Ceará
Para Emanuel Freitas, professor da Universidade Estadual do Ceará, a divulgação recente de um vídeo em que Raquel Lyra sugere esterilizar uma paciente sem consentimento pode alterar a disputa pernambucana na reta final. O episódio ocorreu em maio do ano passado e, na avaliação do professor, deve ser explorado por João Campos antes da votação do primeiro turno.
Freitas afirma que Campos não se consolidou como o “fenômeno imbatível” que se esperava a partir da capital pernambucana. Raquel Lyra, por sua vez, conta com o apoio de bolsonaristas e também mantém aproximação com o governo federal e com Lula. Essa combinação, segundo o professor, limita a possibilidade de Campos assumir de forma mais explícita sua identificação com o campo governista.
A análise aproxima a posição de Lyra da situação de Ciro Gomes no Ceará. O professor avalia que Ciro reúne um eleitorado com perfil típico de setores bolsonaristas: homens jovens, evangélicos, das classes A e B, moradores de Fortaleza e com maior escolaridade. Ele também associa parte da competitividade do candidato ao apoio recebido de uma direita que governa cidades como Juazeiro do Norte e Sobral.
A disputa presidencial
Na Bahia, ACM Neto combina a força do carlismo, especialmente na capital baiana, com a mobilização do antipetismo. Freitas identifica dinâmica semelhante no Ceará, onde Ciro Gomes tem histórico de declarações contrárias a Lula.
O professor avalia que, em um eventual segundo turno presidencial, a dependência entre candidaturas nacionais e palanques estaduais pode ser mais delicada para Lula do que para Flávio Bolsonaro. Ele também afirma que o eleitorado de Lula é mais suscetível à abstenção eleitoral, conforme pesquisas mencionadas na entrevista, desde a eleição de 2022.


