CARUARU — O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou, no último sábado (18), o primeiro Festival da Diversidade, organizado por seu coletivo LGBTQIAPN+. O evento ocupou o centro de Caruaru, no entorno do Pátio de Eventos, com uma programação voltada à cena artística LGBTQIAPN+ da cidade.
A noite reuniu 14 atrações em diferentes linguagens culturais. A programação incluiu performances drag queen, intervenções, hip-hop e discotecagem. A apresentação ficou a cargo da artista drag Rubbie, que também participou das performances ao lado de Dionísio, Yannara e Aurora. Stella Diamonds e Benedita Araújo fizeram intervenções. A discotecagem foi realizada por Kylipe, Gabiiip, Yohanna, Victor Preto, Chanel do Agreste, Xunior e Indecisões.
Para Rafaela Barcelo, coordenadora e articuladora cultural do MST-PE e responsável pela programação, o festival foi criado para dar visibilidade a artistas que ocupam a cidade, mas ainda não recebem reconhecimento. Ela também afirmou que o evento combinou estímulo cultural e posicionamento político diante do conservadorismo e da invisibilidade enfrentada pela população LGBTQIAPN+.
Ocupação simbólica
A organização apresentou a realização do festival como uma disputa simbólica pelo uso da cidade pela população LGBTQIAPN+. Gabriella Ambrósio, coordenadora de comunicação da secretaria estadual do MST e uma das organizadoras, disse que a escolha da principal rua da cidade reforçou o caráter político da presença LGBTQIAPN+ no espaço público.
O festival também recuperou referências da história de Caruaru, especialmente da Rua Silvino Macedo, conhecida como Rua da Má Fama por ter sido ocupada por corpos dissidentes. Gabriella afirmou que a rua deixou de existir e associou esse processo ao avanço do conservadorismo. Para ela, o evento recriou esse espaço de forma livre, gratuita e musical, retomando uma tradição ligada à comunidade LGBTQIAPN+ da cidade.


