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Legado Guarani e Charrua é apontado como base da cultura gaúcha

Artigo assinado por Vicente Rauber e Claudio Knierim relaciona saberes indígenas, presença negra e Revolução Farroupilha à formação do gaúcho.

Legado Guarani e Charrua é apontado como base da cultura gaúcha

O legado dos povos Guarani e Charrua, somado às contribuições de negros, espanhóis, portugueses e outros imigrantes, é apresentado como parte central da formação histórica e cultural do gaúcho. A análise também relaciona esse processo à Revolução Farroupilha e destaca valores como dignidade, justiça, bravura, resistência, altivez e pertencimento ao território.

O Acampamento Farroupilha de Porto Alegre adotou como tema “Herança Jesuítica e Guarani no RS: 400 anos de cultura e tradição”, tendo como referência 1626, ano associado à constituição da primeira redução Guarani, chamada São Nicolau.

Conhecimentos e organização das reduções

O artigo sustenta que as Missões Jesuíticas representaram uma tentativa de desenvolvimento conjunto entre europeus e povos originários. Nas reduções, práticas Guarani foram combinadas com técnicas trazidas pelos padres jesuítas e com um modelo de governo espanhol chamado Cabildo. As aldeias ou Tekoas foram reunidas em espaços delimitados, com gestão coletiva.

Entre os conhecimentos atribuídos aos Guarani estão o cultivo de milho, batata-doce, mandioca, abóbora, feijão e batata, além do plantio direto e da coivara. O preparo de alimentos incluía panelas de pedra ou cerâmica, assados e o uso do jirau, estrutura de taquara colocada sob brasas. O artigo relaciona essa técnica à origem do churrasco.

Também são citados o pilão, a produção de farinha e mingau, o consumo de mate ou chimarrão e o trabalho com argila. Nas reduções, os Guarani produziram tijolos, lajotas e telhas, além de participar da construção de residências, colégios, igrejas, ruas, calçamentos, sistemas de captação de água, esgotos e moinhos hidráulicos.

As oficinas reuniam atividades como carpintaria, tecelagem e metalurgia. Produziam instrumentos musicais, esculturas, roupas, ferramentas e armas rudimentares. A agricultura incluía trigo, algodão, videiras e pomares. O trabalho era dividido entre o Abambaé, voltado às famílias, e o Tupambaé, mutirão destinado à produção coletiva, inclusive para sustentar órfãos e viúvas.

Fora das áreas urbanas, havia estâncias de criação de gado bovino, ovino e equino. Os excedentes eram armazenados em paióis, trocados com outros povoados ou vendidos para outras províncias e para Buenos Aires.

Charrua, Guarani e a formação do gaúcho

O texto atribui aos Charrua contribuições como o chiripá, antecessor da bombacha, a vincha, o toropi e as boleadeiras. Também destaca uma forma dócil de doma dos cavalos, sem o uso do freio. O grupo, descrito como nômade e dedicado à caça, à pesca e à coleta, não teria aceitado a catequização nem a concentração em reduções.

Em 1831, Frutuoso Rivera, presidente do Uruguai, atacou os Charrua após pressão de estancieiros brasileiros e uruguaios. O massacre ocorreu junto ao Arroio Salsipuedes, no Uruguai, e é apresentado como o início do extermínio do grupo étnico.

O artigo afirma ainda que as línguas portuguesa e espanhola incorporaram cerca de 6000 palavras indígenas em terras gaúchas. Entre os exemplos estão guri, tapejara, guasca, guampa, guaiaca, cuia e chucro, além de termos ligados a rios, lagoas, montes e outros lugares.

A destruição das reduções

A experiência missioneira foi interrompida após o Tratado de Madri, firmado em 1750 por Portugal e Espanha. O acordo determinou a transferência do território das reduções jesuíticas para Portugal e estabeleceu que indígenas e padres jesuítas deveriam deixar a região e atravessar o Rio Uruguai em direção às terras da atual Argentina.

Parte dos Guarani obedeceu às ordens, enquanto outro grupo, liderado por Sepé Tiaraju, se opôs à demarcação. Os exércitos português, comandado por Gomes Freire de Andrade, e espanhol, sob o governador de Buenos Aires José de Andonaegui, avançaram contra a região.

Sepé Tiaraju teria afirmado: “Esta terra tem dono”. Em 7 de fevereiro de 1756, ele foi morto. Três dias depois, na Batalha da Caiboaté, mais de 1500 indígenas foram eliminados. Na sequência, Portugal e Espanha expulsaram os padres jesuítas e confiscaram seus bens, levando à dispersão dos Guarani sobreviventes.

Com o gado das estâncias missioneiras vagando pelos campos, grupos formados por indígenas, negros, mestiços, soldados espanhóis e portugueses desertores passaram a caçá-lo para sobreviver. Esses homens, chamados gaúchos ou gauchos, foram vistos como malfeitores e ladrões de gado. Depois do cercamento dos campos, acabaram incorporados às estâncias como peões.

A formação do gaúcho também incluiu a participação dos negros, mesmo em condições de escravização e discriminação. O artigo destaca suas contribuições no trabalho, na culinária e nos costumes, além da valentia e da resistência associadas ao Corpo de Lanceiros Negros da Revolução Farroupilha. Povos europeus e asiáticos teriam acrescentado novos conhecimentos e técnicas às experiências indígenas e negras.

Vicente Rauber é engenheiro especialista em Planejamento Energético e Ambiental. Claudio Knierim é historiador. Os autores defendem a recuperação desses legados e a continuidade de conquistas associadas às Reduções Guaraníticas Missioneiras e à Revolução Farroupilha, incluindo desenvolvimento com sustentabilidade ambiental.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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