O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não sofreu perdas significativas após a aplicação de tarifas pelos Estados Unidos e que respondeu à medida ampliando negociações comerciais com outros países. A declaração foi dada na noite desta quinta-feira (1º), em entrevista ao Flow Podcast.
Lula disse que não pretende aceitar desrespeito nem abrir mão de buscar parceiros para o comércio brasileiro. “O Trump tem que saber que ele toma conta dos EUA, do Brasil cuido eu”, afirmou, em referência ao presidente americano, Donald Trump.
De acordo com os números apresentados por Lula, as trocas comerciais do Brasil com os Estados Unidos recuaram 9,7% depois da adoção das tarifas. No mesmo período, o comércio com a China aumentou 20%; com a Indonésia e a Alemanha, 15% em cada caso; e com o Vietnã, 14%. Também houve crescimento das vendas para outros 57 países.
O presidente afirmou ainda que o país registrou R$ 80 bilhões de superávit na balança comercial. Ao tratar das relações internacionais, disse que não aceitará pressão dos Estados Unidos sobre o desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial, minerais críticos e terras raras. Para Lula, tanto a China quanto os Estados Unidos podem atuar como parceiros do Brasil.
Críticas ao protecionismo
Questionado sobre as razões das tarifas e das pressões americanas, Lula atribuiu as medidas ao protecionismo defendido por Trump. O presidente brasileiro também afirmou que a decisão foi baseada em uma mentira, porque, segundo ele, os Estados Unidos tiveram superávit de R$ 415 bilhões em 15 anos.
Lula declarou que Trump busca proteger e enriquecer os Estados Unidos e afirmou que o presidente americano não considera adequadamente a situação da população. “O que eu quero é respeito”, disse o presidente brasileiro ao comentar sua posição diante das ameaças e declarações sobre uma possível guerra.



