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Minas pode eleger duas senadoras na mesma disputa pela primeira vez

Áurea Carolina, Marília Campos e Ana Luiza concorrem a duas vagas em uma eleição que retoma o legado de Júnia Marise.

Minas pode eleger duas senadoras na mesma disputa pela primeira vez

Minas Gerais pode eleger, em 2026, duas mulheres simultaneamente para o Senado, algo que nunca ocorreu no estado. As candidatas Áurea Carolina (Psol), Marília Campos (PT) e Ana Luiza (UP) disputam as duas cadeiras que serão renovadas. A terceira vaga mineira é ocupada por Cleitinho Azevedo (Republicanos), cujo mandato vai até 2030.

Caso Cleitinho seja eleito governador de Minas, o suplente Alex Diniz assumirá o posto até o fim do mandato. A disputa também envolve uma estratégia conjunta entre Áurea e Marília: como cada eleitor poderá escolher dois nomes para o Senado, as campanhas apresentam uma dobradinha como forma de combinar os votos. As duas apoiam a candidatura de Patrus Ananias (PT) ao governo estadual e participaram juntas de atividades, entre elas o ato Mulheres com Lula, realizado em Belo Horizonte, em agosto deste ano.

O precedente de Júnia Marise

A possibilidade atual tem como referência a trajetória de Júnia Marise. Natural de Belo Horizonte, ela foi eleita senadora por Minas Gerais em 1990, quando as mulheres ainda eram minoria excepcional no Senado. Ao lado de Marluce Pinto, de Roraima, tornou-se uma das primeiras mulheres eleitas diretamente para a Casa.

Antes de chegar ao Senado, Júnia passou pela Câmara Municipal, pela Assembleia Legislativa, pela Câmara dos Deputados e pela vice-governadoria. Foi a primeira mulher a ocupar esse último cargo em Minas Gerais e chegou a assumir interinamente o governo estadual. No Senado, exerceu a terceira-secretaria e a segunda-vice-presidência. Seu mandato terminou em 1999, após oito anos de atuação parlamentar.

Eleita pelo Partido da Reconstrução Nacional (PRN), Júnia também teve passagens pelo PDT, MDB, PMDB e PPSE. No PDT, atuou como líder no Senado. Entre os temas de sua atuação estavam a ampliação da participação feminina nas candidaturas e o desenvolvimento regional. Ela defendeu uma regra que reservava 20% das vagas disputadas nas eleições municipais para mulheres e participou da inclusão de municípios do Vale do Jequitinhonha na área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Desde a eleição de Júnia, Minas Gerais não voltou a eleger uma mulher para o Senado pelo voto direto. O histórico oficial das eleições estaduais registra seu nome como o único de uma mulher eleita para a vaga mineira desde então.

Disputa sem resultado definido

A pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro indica Marília Campos com 12% das intenções de voto. Carlos Viana (PSD) e Aécio Neves (PSDB) aparecem com 10% cada. Domingos Sávio (PL) tem 8%, Marcelo Aro (PP), 6%, e Áurea Carolina, 3%.

O levantamento ouviu 1.204 eleitores em Minas Gerais, entre 8 e 10 de setembro, e apresenta margem de erro de três pontos percentuais. Dentro desse limite, Marília, Viana e Aécio estão em empate técnico. Ainda não haviam definido o voto 20% dos entrevistados; outros 18% afirmaram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato.

Os números mostram uma disputa fragmentada pelas duas vagas e não permitem antecipar o resultado. Para Áurea e Marília, a campanha conjunta tenta transformar a possibilidade de dois votos em uma escolha combinada. “Quando mulheres ocupam espaços de poder, suas experiências, perspectivas e pautas também passam a fazer parte das decisões que definem os rumos do nosso estado e do nosso país”, afirmou Áurea Carolina nas redes sociais.

A legislação sobre candidaturas femininas mudou desde a década de 1990. Em 1995, a primeira regra de cotas reservou 20% das candidaturas nas eleições municipais para mulheres. Dois anos depois, a legislação passou a prever percentual mínimo de 30% e máximo de 70% para candidaturas de cada gênero. A existência das cotas não eliminou, porém, os obstáculos relacionados a recursos, estrutura partidária, violência política e conversão das candidaturas em mandatos.

Propostas das candidatas

Marília Campos destaca os direitos das mulheres e a ampliação de políticas públicas para a população feminina. Ela defende o cumprimento da legislação existente e citou a Lei Maria da Penha. Também coloca entre suas prioridades a dívida de Minas Gerais com a União, a participação dos municípios nas decisões federais, investimentos em infraestrutura, saúde, abastecimento de água e expansão dos institutos federais.

Sua candidatura relaciona ainda a experiência na Prefeitura de Contagem a políticas de moradia e atendimento à população em situação de rua, ações destacadas por aliados.

Áurea Carolina prioriza o combate à violência contra mulheres e meninas, com reforço da rede de proteção, prevenção ao feminicídio e enfrentamento da violência digital. Na saúde, defende mais financiamento para a atenção básica e a saúde mental, especialmente nos municípios do interior.

A candidata também propõe o fim da escala 6×1 e mudanças na legislação para ampliar a proteção de trabalhadores autônomos, diaristas, intermitentes e entregadores. Na mineração, defende controle sobre minerais estratégicos, como lítio e terras raras, além da responsabilização de empresas por danos causados pela atividade. Cultura, proteção social para trabalhadores do setor e mudanças na tributação de plataformas de streaming completam suas prioridades.

Uma eventual eleição simultânea de duas mulheres não encerraria os desafios da participação feminina na política, mas mudaria a composição da representação mineira no Senado. Depois de Júnia Marise ter sido a única senadora eleita diretamente pelo estado, Áurea, Marília e Ana Luiza disputam a possibilidade de ampliar, pela primeira vez, a presença feminina na bancada mineira da Casa.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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