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Morena chega aos 15 anos como força dominante na política mexicana

Movimento que levou López Obrador e Sheinbaum à Presidência enfrenta o desafio de transformar resultados de governo em convicções sociais.

Morena chega aos 15 anos como força dominante na política mexicana

O Movimento de Regeneração Nacional (Morena) completa 15 anos nesta sexta-feira (2) como a principal força política do México. Criado inicialmente como associação civil, o grupo levou Andrés Manuel López Obrador à Presidência em 2018 e Claudia Sheinbaum ao cargo em 2024, além de formar maioria no Senado, na Câmara dos Deputados e nos governos estaduais.

Na Câmara, o Morena ocupa 254 dos 499 assentos preenchidos. Somados os 60 deputados do Partido Verde Ecologista do México (PVEM) e os 49 do Partido do Trabalho (PT), a coalizão reúne 363 parlamentares, quase três quartos da Casa. No Senado, o partido tem 66 das 128 cadeiras, enquanto a aliança chega a 86.

Oscar Lemus, internacionalista e coordenador-geral do Instituto Nacional de Formação Política (INFP) do Morena, afirma que a formação ideológica dos militantes e a preservação da unidade estão entre os principais desafios da organização. O crescimento aproximou correntes com posições distintas e a conquista de cargos ampliou as disputas sobre candidaturas e ocupação de postos públicos. “Somos uma grande frente progressista”, disse Lemus.

A disputa pelas consciências

O projeto político do Morena é apresentado por seus dirigentes como uma “revolução das consciências”. A expressão resume a tentativa de consolidar uma visão de sociedade baseada no combate à pobreza, na defesa da soberania e na proteção dos direitos sociais. Para Lemus, a continuidade do processo não deve depender apenas da permanência do partido no governo, mas da incorporação desses princípios pela população.

A formação política dos militantes busca fazer com que a prioridade aos pobres deixe de ser apenas uma formulação partidária e passe a orientar convicções sociais. Na avaliação do dirigente, conquistas administrativas só poderão ser defendidas no longo prazo se forem compreendidas e assumidas pela população.

Os governos associados à chamada Quarta Transformação apresentam resultados em áreas sociais e de infraestrutura. Entre 2018 e 2024, a proporção de mexicanos em situação de pobreza multidimensional caiu de 41,9% para 29,6%, o que representou uma redução de 13,4 milhões de pessoas, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi).

Também houve aumento do salário mínimo geral, que passou de 88,36 pesos diários em 2018 para 315,04 pesos em 2026. A Comissão Nacional dos Salários Mínimos (Conasami) calcula que o piso definido para este ano corresponde a uma recuperação acumulada de 154,2% do poder de compra durante os governos da Quarta Transformação.

Na habitação, o programa Vivienda para el Bienestar prevê 667 mil moradias durante o mandato de Sheinbaum. A iniciativa trata a moradia digna como um direito, envolve investimentos equivalentes a 1,2% do PIB anual e tem expectativa de gerar 2,4 milhões de postos de trabalho em 766 projetos em andamento no país. O programa também inclui renegociações de financiamentos usados na compra de casas em condições consideradas abusivas.

A recuperação das ferrovias é outra marca das administrações do Morena. Concebido no governo López Obrador e concluído sob Sheinbaum, o Trem Maia percorre 1.554 quilômetros em cinco estados do sudeste mexicano. No istmo de Tehuantepec, foram reabilitados 308 quilômetros de trilhos entre Salina Cruz e Coatzacoalcos, com retomada do transporte de passageiros e reforço da ligação de cargas entre o Pacífico e o Golfo do México.

Saúde e segurança permanecem como obstáculos

Os resultados não eliminam os problemas em saúde e segurança, apontados por Lemus como duas das áreas mais difíceis de transformar. Na saúde, ele relaciona as dificuldades ao desmonte neoliberal acumulado e ao impacto da pandemia sobre os recursos e os planos do governo López Obrador.

Em 2024, o Inegi registrou falta de acesso aos serviços de saúde para 34,2% da população, equivalente a 44,5 milhões de pessoas. O indicador melhorou em comparação com 2022, mas a proteção social continua sendo uma tarefa que não se resolve apenas com o aumento dos rendimentos.

Na segurança, Lemus aponta a guerra contra o narcotráfico, iniciada por Felipe Calderón em 2006 e mantida durante o governo de Enrique Peña Nieto, como uma das origens da crise herdada pelo Morena. “A militarização do combate às drogas aprofundou a violência sem eliminar as estruturas do crime organizado”, afirmou.

A questão também passou a envolver a relação com os Estados Unidos. Em fevereiro de 2025, o governo de Donald Trump classificou seis cartéis mexicanos como organizações terroristas estrangeiras. A medida ampliou a pressão sobre o México e foi acompanhada de propostas de atuação militar estadunidense em território mexicano, rejeitadas por Claudia Sheinbaum. A presidenta defende que a cooperação contra os cartéis respeite a soberania do país.

Da associação civil ao partido

O Morena foi constituído como associação civil em 2 de outubro de 2011, no Auditório Nacional, na Cidade do México. Naquele momento, López Obrador ainda integrava o Partido da Revolução Democrática (PRD), mas setores que apoiavam sua candidatura presidencial já não se identificavam com a legenda.

Segundo Lemus, a nova organização acolheu movimentos sociais e pessoas interessadas no projeto político de López Obrador, mesmo quando elas não pretendiam disputar eleições ou participar diretamente da vida partidária. A experiência também respondia às divisões internas do PRD, marcado por grupos conhecidos como “tribos”, que negociavam candidaturas conforme sua força e divergiam sobre alianças com partidos de centro e de direita.

A separação se aprofundou depois da eleição presidencial de 2012. Enquanto López Obrador contestava o resultado favorável a Enrique Peña Nieto, a direção do PRD se afastava dele e sinalizava abertura para negociações com o Partido Ação Nacional (PAN) e o Partido Revolucionário Institucional (PRI), legenda de Peña Nieto.

Em dezembro, PRD, PAN e PRI firmaram o “Pacto por México”, que apoiou uma agenda de reformas do novo governo. Entre elas estava a abertura do setor energético ao capital privado, considerada pelo Morena um marco da perda de soberania energética mexicana.

López Obrador havia anunciado sua saída do PRD em setembro. Após consultas à militância em assembleias realizadas pelo país, o movimento decidiu se transformar em partido. O Instituto Nacional Eleitoral (INE) aprovou o registro em 9 de julho de 2014.

O sentido da Quarta Transformação

A proposta de López Obrador se diferencia das três transformações históricas do México por defender uma mudança pacífica e democrática, baseada na disputa pela consciência popular. O combate ao neoliberalismo integra esse projeto, que pretende reorganizar um Estado visto como direcionado às minorias e colocar os pobres no centro das decisões públicas.

A primeira transformação é associada à Independência, iniciada em 1810 e concluída em 1821, quando o México rompeu com o domínio colonial espanhol. Na interpretação de López Obrador, aquele processo combinou soberania nacional e combate à escravidão.

A segunda corresponde à Reforma, conduzida pelos liberais sob a liderança de Benito Juárez em meados do século 19. O movimento enfrentou privilégios da Igreja Católica, separou o poder religioso do Estado e defendeu a República diante da intervenção francesa.

A terceira é a Revolução Mexicana, iniciada em 1910 contra a ditadura de Porfirio Díaz. A luta incorporou reivindicações por terra, democracia e direitos trabalhistas, que ganharam forma na Constituição de 1917. Para López Obrador, justiça social e participação popular são os legados que conectam esse processo ao projeto político do Morena.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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