A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que investigue a suspensão dos serviços consulares dos Estados Unidos no Brasil como possível elemento de interferência estrangeira nas eleições. O pedido foi apresentado nesta sexta-feira (2), por meio de uma petição que também requer a inclusão de novos fatos no processo.
A Embaixada dos Estados Unidos informou que interrompeu os serviços consulares no Brasil nesta sexta-feira (2) por preocupações com a segurança, sem detalhar a ameaça considerada. Para os advogados da coligação “Brasil pronto pra mais”, a proximidade entre a medida e o pleito de domingo (4) teria criado instabilidade no ambiente eleitoral.
Novos elementos citados
A petição menciona ainda a informação de que a ordem para suspender os serviços teria partido do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Os advogados sustentam que a decisão diplomática, adotada durante o período eleitoral, deve ser analisada no mesmo contexto da suposta interferência estrangeira já discutida na ação.
Outro ponto apresentado é uma informação sobre os planos de Flávio Bolsonaro para o Ministério das Relações Exteriores caso seja eleito. Conforme o documento, o candidato pretende reformar a estrutura do Itamaraty com base em mudanças feitas durante o governo de Donald Trump, incluindo medidas relacionadas à gestão de Rubio.
A campanha também anexou referências a uma carta enviada pelos senadores democratas dos Estados Unidos Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch a Rubio. Os parlamentares expressaram preocupação com uma possível interferência do governo Trump nas eleições brasileiras e perguntaram se os Estados Unidos reconhecerão o resultado do pleito.
Na avaliação dos advogados, a carta tem importância por ter sido produzida por integrantes do Legislativo norte-americano. Eles afirmam que o documento reforça a alegação de pressão externa sobre o Brasil, associada a tarifas, sanções e apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. A defesa também relaciona esses elementos à atuação atribuída aos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro e pede que o TSE considere o conjunto na investigação.


