SÃO PAULO — Os Estados Unidos interromperam nesta sexta-feira (2) as atividades consulares no Brasil, alegando questões de segurança. O anúncio ocorreu a dois dias do primeiro turno das eleições brasileiras e teria sido motivado por uma suposta ameaça de bomba.
No fim da tarde, a Polícia Federal informou ter cumprido dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal. A operação investiga o possível planejamento de atos contra instalações diplomáticas dos Estados Unidos no país. A corporação classificou a medida como preventiva e disse que a apuração é sigilosa, conduzida em cooperação permanente com agências de inteligência estrangeiras.
Avaliação sobre interferência eleitoral
O professor e pesquisador de Relações Internacionais Ricardo Leães afirmou que a suspensão pode contribuir para criar um ambiente de temor durante a disputa eleitoral e beneficiar Flávio Bolsonaro (PL). Para ele, o episódio se soma a movimentos atribuídos ao governo Trump em outros países da América Latina.
Leães relacionou o caso a acontecimentos dos últimos meses, como o tarifaço sobre produtos brasileiros, o enquadramento das facções PCC e CV como organizações terroristas, um documento de congressistas estadunidenses sobre possível ingerência e um alerta da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Também mencionou uma denúncia de que os Estados Unidos teriam gasto US$ 1 milhão contra o STF no Brasil. O professor lembrou ainda que, no dia 1º de outubro, Trump disse acompanhar de perto a eleição brasileira e que, no dia 2 de outubro, os serviços consulares foram suspensos.
“Esses acontecimentos são preocupantes, porque servem para criar um clima de pânico entre a população”, disse Leães. Na avaliação dele, há uma tentativa em curso de interferir no processo eleitoral e de produzir condições mais favoráveis à vitória de Flávio, embora considere difícil prever com exatidão os próximos movimentos estadunidenses.


