SÃO PAULO — Alice Caymmi apresenta nesta sexta-feira (2), na Casa Natura Musical, em São Paulo, o repertório do álbum “Caymmi”, projeto em que revisita as composições do avô, Dorival Caymmi, sem reproduzir as versões clássicas. O show também inclui músicas de outros momentos da carreira da cantora.
O disco nasceu de uma decisão associada à maturidade artística. Depois de construir uma identidade própria, Alice afirmou que se sentiu autorizada a retornar às raízes e a investigar suas origens a partir do trabalho que já havia estabelecido. A cantora descreveu essa escolha como uma volta às raízes feita a partir de uma identidade profissional já consolidada.
As canções de Dorival foram reorganizadas com referências a reggae, hip-hop, salsa e elementos eletrônicos. Para Alice, o repertório do avô se adapta com facilidade a formatos contemporâneos. Ela também disse que a experiência mostrou ser possível mudar o gênero musical das composições sem perder sua força.
Herança familiar e identidade
A relação com o sobrenome Caymmi mudou ao longo da trajetória da artista. No começo, Alice questionava o que faria com a herança de uma família tão presente na música brasileira. Depois, passou a enxergar nela uma dimensão espiritual e outros aspectos positivos ligados à linhagem de artistas.
Nana Caymmi aparece como uma referência importante nesse processo. Alice destacou a fidelidade da tia às próprias escolhas e à identidade artística. Para ela, ter uma voz e uma identidade fortes não significa permanecer limitada a um único gênero musical.
Essa postura, segundo a cantora, exige persistência para que um artista consiga se estabelecer no Brasil. Ela também relacionou essa disposição à carreira de mulheres de diferentes gerações e ao modo como cada uma sustenta suas escolhas profissionais.
Repertório para novas gerações
Alice afirmou que algumas pessoas que não conheciam as músicas de Dorival chegaram a pensar que as composições eram suas. Para a cantora, essa reação mostra como as canções podem atravessar gerações. As novas versões, disse ela, afastam a ideia de que esse repertório pertence apenas ao passado ou precisa ser conhecido como uma obrigação de estudo.
O álbum será levado ao palco com uma banda e com músicas da própria Alice, apresentadas dentro da estética do disco. A apresentação está marcada para as 21h, na Rua Artur de Azevedo, 2134, em São Paulo (SP).
Na entrevista à Rádio Brasil de Fato, a cantora também falou sobre política às vésperas do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4). Alice declarou: “Eu sou de esquerda e sou Lula, evidente”. Ao explicar suas preocupações, mencionou o temor de repetir experiências políticas recentes e citou as mortes, a perseguição aos artistas e o desmonte da cultura. Ao final, recorreu ao humor e à religiosidade para comentar o momento do país.


