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Eleitores ainda têm dificuldade para saber como funcionará o transporte gratuito

Campanha pede que o TSE informe pelo e-Título horários, linhas e condições do serviço em cada município no dia da votação.

Eleitores ainda têm dificuldade para saber como funcionará o transporte gratuito

A gratuidade do transporte coletivo urbano está prevista para o domingo (4), durante o primeiro turno das eleições de 2026. Apesar da obrigação, eleitores ainda precisam consultar diferentes fontes para descobrir se o serviço será oferecido em seus municípios, quais linhas estarão disponíveis e em que horários funcionarão.

A dificuldade levou o Instituto Pólis, BONDE, Inesc, Instituto Peregum e SOS Corpo a lançar um abaixo-assinado da campanha Passe Livre 2026. As entidades pedem que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) use o e-Título para centralizar informações sobre a gratuidade, incluindo horários, itinerários, modalidades e condições de funcionamento.

“A gente não está dizendo que os municípios não vão cumprir a gratuidade. O problema é que, a dois dias da eleição, ainda é difícil para o eleitor encontrar em um único lugar informações básicas”, afirma Clariana Cunha, coordenadora de projetos do Instituto Pólis e da Minha Sampa.

Regra prevê transporte gratuito nas zonas urbanas

A obrigação consta do artigo 23 da Resolução 23.751/2026, publicada pelo TSE em fevereiro. A norma determina que o poder público ofereça transporte coletivo urbano municipal e intermunicipal, inclusive metropolitano, sem cobrança e com frequência compatível com a dos dias úteis.

Os governos deveriam ter informado à Justiça Eleitoral, até 15 de agosto, os itinerários, as modalidades e os horários previstos para o dia da votação. A regulamentação segue uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2023. No julgamento da ADPF 1.013, a Corte considerou inconstitucional a omissão do poder público na oferta de transporte coletivo gratuito nas zonas urbanas durante as eleições. A determinação passou a valer nas eleições municipais de 2024.

Em 28 de setembro, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, encaminhou ofício aos 27 tribunais regionais eleitorais (TREs). O documento pediu que os tribunais verificassem se estados, municípios e o Distrito Federal haviam informado seus planos. Os eventuais casos de descumprimento deveriam ser comunicados, e os TREs foram orientados a tornar os dados consolidados acessíveis aos eleitores.

Para Clariana Cunha, o procedimento evidenciou uma falha na divulgação das informações. O TSE foi questionado sobre o número de entes que cumpriram o prazo, as notificações emitidas, as consequências para quem não oferecer a gratuidade e a fiscalização prevista para o domingo, mas não respondeu até a publicação.

Entidades querem informações no e-Título

A campanha propõe utilizar uma ferramenta que já envia notificações oficiais sobre as eleições. A mensagem poderia informar, de maneira direta, se haverá transporte gratuito no município, quais serão os horários e as condições do serviço, além da fonte oficial dos dados.

Clariana afirma que a medida não substituiria outras formas de comunicação. As entidades defendem a divulgação nos sites dos TREs e das prefeituras, nos próprios sistemas de transporte público, na imprensa, nas rádios e em outros canais, porque nem todos os eleitores usam o aplicativo ou mantêm as notificações ativadas.

Na noite de quinta-feira (1º), o TSE publicou uma orientação sobre o transporte no dia da eleição. O documento reafirmou a gratuidade e apresentou regras gerais, mas não criou uma consulta nacional com os horários e as linhas disponíveis em cada município.

Estudo identificou aumento da mobilidade em 2022

Uma análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre a adoção do transporte gratuito entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2022 não encontrou efeito sobre o comparecimento às urnas nem sobre os resultados eleitorais. O estudo, porém, registrou aumento de 7,2% a 17,5% nos níveis de mobilidade no dia da votação.

Clariana ressalta que a pesquisa não avaliou os efeitos da divulgação da gratuidade nem uma política permanente de tarifa zero. Para a campanha, a necessidade de informar os eleitores não depende de demonstrar impacto sobre a abstenção: trata-se de tornar utilizável um direito já previsto.

“O transporte gratuito que o eleitor não sabe que existe ou não sabe quando e onde funciona continua sendo uma política de acesso incompleta”, conclui Clariana.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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